Educadores de Canoas participaram, no último final de semana, do Fórum de Inclusão Responsável, realizado na Assembleia Legislativa do Estado, em Porto Alegre. O evento, promovido pelo CPERS, pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado - SINPRO/Ser e pela Associação dos Trabalhadores em Educação do Município de Porto Alegre - ATEMPA, teve como destaque a presença da pedagoga, psicóloga e doutora em Educação, professora Rosita Edler Carvalho. Ela palestrou sobre os temas Inclusão Escolar Responsável e Desafios Profissionais, Reflexão e Encaminhamentos sobre o Contexto das Políticas na Educação Especial e Organização do Movimento.
O Fórum integra a programação da Semana de Inclusão Escolar, que ocorreu na capital, entre os dias 21 a 25 de setembro. Com o tema Construindo saberes, reescrevendo histórias e possibilitando cidadania, a iniciativa teve como objetivo congregar todos os segmentos das escolas envolvidas com a Inclusão Escolar Responsável.
De acordo com a mestre e doutora em Educação primária, a realidade das instituições tem se mostrado muito contraditória quanto ao tema da Inclusão, pois ao lado de muitos educadores que se mostram receptivos e interessados na presença de alunos com deficiência em salas de aulas, há os que a temem, outros que a toleram e muitos que a rejeitam. Os que temem, conforme Rosita, afirmam que se sentem despreparados para lidar com dificuldades de aprendizagem, principalmente quando se trata de algumas deficiências. "Muito impregnados ainda pelo modelo médico, sugerem a ação de especialistas, supostamente os mais indicados para atender os alunos "com defeito", relatou. Conforme a professora, os que toleram, em geral cumprem ordens superiores e transformam a presença do aluno com deficiência em algo penoso, impossível de resolver e acabam deixando-o entregue à própria sorte. "Muitas vezes mais segregado e excluído na turma regular do que se estivesse em classes ou escolas especiais", analisou. E aqueles que rejeitam alunos com deficiência em suas turmas defendem-se, conforme a educadora, afirmando que em seus cursos de formação não foram suficientemente instruídos para isso e que não dão conta nem dos alunos ditos "normais". "Sentem-se desmotivados com as condições em que trabalham, com seus baixos salários e com a desvalorização de sua profissão de magistério", observou.
Já a mestre e doutora em Educação e professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Maria Luísa Xavier, apresentou o desafio das Escolas Contemporâneas de se adequar às exigências da realidade atual e as características de cada aluno. Segundo ela, a escola de hoje foi construída a 300 anos, na Europa, para atender as demandas da revolução industrial e do capitalismo emergente, por isso é preciso recriá-la. "É necessário construir um projeto de inclusão social que considere nos seus projetos pedagógicos a grande diversidade das crianças e jovens que estão hoje na escola, muitos dos quais pertencentes aos grupos historicamente excluídos", enfatizou.
O gestor da Unidade de Inclusão da Secretaria de Educação de Canoas, Ronaldo Ribeiro, destaca que a presença de professores da rede pública canoense faz parte da Formação Continuada dos educadores. "Serão eles que num trabalho itinerante nas escolas com alunos deficientes vão apoiar os professores em sala de aula e oportunizar o engajamento de todos na proposta de inclusão plena no município", afirmou.
Patrícia Araujo