Uma exposição de alguns dos trabalhos realizados pelos alunos do Ceia - Centro de Educação Inclusiva e Acessibilidade, com mediação dos próprios estudantes, foi realizada hoje, no local, para marcar o Dia Mundial de Conscientização pelo Autismo, lembrado amanhã. Hoje, a partir das 20 horas, a Praça do Avião, localizada no Centro da cidade, estará iluminada de azul, cor que simboliza o autismo.
Através da releitura de obras de artistas como Candido Portinari, Vincent Van Gogh, Frida Kahlo, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral e Francisco Brennand os alunos expuseram o que fizeram durante seu período de férias. A professora de Artes do Ceia e autora da iniciativa, Zaida Mendonça, destaca que a prática desenvolve a auto-estima dos alunos, colocando-os em uma posição em que possam mostrar suas potencialidades. "Quando concretizamos o fazer pedagógico diferenciado é que realizamos a verdadeira inclusão. Aqui nós trabalhamos de forma multidisciplinar destacando três eixos: corporalidade, letramento e arte", destacou.
O ato contou também com a apresentação do aluno da Associação Legato, Felipe Vieira Pinto, portador de autismo, que apresentou duas músicas ao público: Balada do Louco Mais uma Vez, de Renato Russo.
O secretário de Educação, Paulo Ritter, salientou que o município atua no sentido de formar uma sociedade que seja contra a intolerância e o preconceito. "No Ceia temos profissionais capacitados e empenhados em realizar este trabalho. Além disso, Canoas possui atualmente 18 salas de recursos multifuncionais e até o final do próximo ano nossa meta é disponibilizar 42 espaços como esse", afirmou.
Marcelo Ribeiro Lima, um dos fundadores do Movimento Autismo e Vida, que reúne integrantes dos municípios de Canoas, Montenegro, Viamão e Porto Alegre, prestigiou o evento e destacou a importância de ações como a de hoje, que conscientizam a sociedade sobre a importância da inclusão. "A partir da inclusão e da orientação pedagógica adequada é possível fazer com que eles desenvolvam suas potencialidades", observou.
A jornalista Alessandra Araujo Guidalle, 33 anos, mãe de dois filhos portadores de autismo lembrou da luta para que eles pudessem frequentar a escola e receber as orientações necessárias. "Meus dois filhos foram rejeitados em escolas particulares de Porto Alegre. Em outra tentativa precisei de uma longa conversa com a equipe pedagógica para que entendessem a importância da inclusão. Hoje, fico feliz ao ver o desenvolvimento deles", relatou.
Patrícia Araujo