Carregando! Por favor aguarde...
Mais um instrumento de participação popular está estabelecido na cidade de Canoas. O segundo dia de Seminários Temáticos do I Congresso da Cidade, realizado neste sábado na Ulbra, deu mais uma demonstração do protagonismo dos cidadãos canoenses na configuração da cidade em que vivem. Cerca de 420 inscritos participaram das discussões da pré-estratégia para os próximos dez anos de Canoas, que iniciaram na noite desta sexta-feira, 03 e prosseguiram neste sábado.
Com a presença do prefeito Jairo Jorge, da vice-prefeita Beth Colombo, de secretários e dos painelistas do dia, André Carvalho, Walter Doell e José Carlos Xavier, o encontro iniciou com a apresentação da pré-estratégia para os próximos dez anos de Canoas. Sugestões, contribuições e alternativas para o progresso do município foram compiladas no documento, apresentado pelo sócio-diretor da Agência Futuro, Gustavo Grisa. O resultado do trabalho será enviado para todos os inscritos no evento que cadastraram seus e-mails. De acordo com Grisa, o documento é preliminar, de síntese de princípios para a estratégia. "É uma visão orientadora para as plenárias regionais de março, que contempla a linha adotada para construir o futuro de Canoas como uma cidade mais sustentável, humana, integrada, atrativa e próspera", observou.
Grisa também salientou que são raras as cidades do porte de Canoas que estão dispostas a construir sua estratégia de forma democrática e participativa. O foco da pré-estratégia, segundo ele, são ações de médio e longo prazo, contínuas, que perpassem governos e gerações. Após a explanação do documento para os presentes, compuseram a mesa de debates os secretários coordenadores dos Grupos Executivos de Ação (GEAs), Paulo Ritter (Educação), Celso Barônio (Meio Ambiente) e Luiz Carlos Bertotto (Transportes e Mobilidade). Os gestores sentaram ao lado dos painelistas, que enriqueceram o debate com experiências e exemplos dentro dos macrotemas do Congresso: cidadania, desenvolvimento e infraestrutura.
O primeiro painelista, André Carvalho, cumprimentou o prefeito pela iniciativa de planejar o futuro da cidade, que definiu como brilhante. Conforme o presidente da Comissão de Terceiro Setor da OAB de Pernambuco, cidadania tem um conceito muito amplo e, ao mesmo tempo, muito específico. Para ele, é a forte vinculação com a questão da sociedade civil organizada, de forma que possa se disciplinar os direitos e deveres da população. Carvalho falou do papel do terceiro setor, ou seja, da sociedade civil organizada, no desenvolvimento das cidades e falou da importância do cidadão conhecer os seus direitos. "Existe falta de conhecimento das questões legais, e para poder exercer os direitos, o cidadão precisa conhecê-los", disse.
Carvalho também lembrou que o potencial de atuação do terceiro setor deve ser utilizado para atrair recursos para a cidade se desenvolver. Para ele, não deve-se confundir ação social com assistência social. "Não podemos pensar no terceiro setor como assistencialismo; assistência social é uma de suas funções, mas ele envolve fundamentalmente questões dos direitos sociais", finalizou.
Contribuindo para as discussões acerca do eixo Desenvolvimento, o gerente executivo do Tecnosinos Walter Doell transmitiu a experiência do parque tecnológico da Unisinos. Abrigando 60 empresas de base tecnológica, o parque conta com 250 mil m² de área total e 2500 empregos diretos. Criado por iniciativa de conversão tecnológica, segundo Doell, na crise que o setor de calçados enfrentou há 20 anos, o Tecnosinos conquistou o prêmio de Melhor Parque Tecnológico do País. "A interação forte com universidade ou instituição de pesquisa é o que difere o parque tecnológico do distrito industrial", informou. Para ele, Canoas têm potencial para abrigar um parque, já que conta com mais de duas universidades.
O último painelista do dia, José Carlos Xavier, falou de um dos temas que mais preocupa os canoenses: a mobilidade urbana. Xavier observa que o problema vêm numa crescente em muitas das cidades do país. Segundo ele, o caos no trânsito e no transporte público, inimigo das cidades e dos moradores, é fruto do processo acelerado de urbanização e da ausência de planejamento. Xavier destacou que a população do Brasil não é distribuída homogeneamente no território e que desigualdades regionais precisam ser tratadas adequadamente. "Mobilidade urbana não é só transporte coletivo, é acessibilidade, serviço de táxi, é o trânsito como um todo", definiu. Para o painelista, é preciso antever estes problemas, caso contrário, reproduziremos nas cidades médias o que enfrentam as cidades grandes.
Instigado pelo interesse dos presentes no tema de mobilidade urbana, Xavier expôs um paranoma das cidades, que inclui o crescimento urbano desordenado, o declínio do transporte público e a motorização crescente. Conforme ele, um círculo vicioso. "Com a ausência de políticas públicas efetivas, o desejável crescimento econômico redundará em maiores níveis de congestionamento, devido ao aumento da frota e da circulação de veículos", alertou. Para o coordenador nacional do projeto Pensar o Brasil, as condições do transporte coletivo, que confinam a população em viagens cada vez mais demoradas, gera uma realidade controversa: a população que não tem carro sofre mais do que quem está dentro do carro, além de pagar investimento para o carro e pagar a passagem de ônibus. Como sugestão, Xavier citou as diretrizes que julga necessárias para a política de mobilidade urbana: "vinculação do planejamento de cidade ao sistema de transportes; priorização efetiva do transporte coletivo, em detrimento do privado e individual; e estímulo ao uso racional do automóvel".
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234