Carregando! Por favor aguarde...
Há mais de 30 anos, o enfrentamento ao tabagismo se tornou uma das grandes bandeiras das ações do Ministério da Saúde, o que inclui o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, que objetiva a redução do uso e as consequentes doenças e mortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco. Nesse conjunto de ações, foi criado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, estabelecido no dia 29 de agosto. Assim, a Secretaria Municipal de Saúde de Canoas realiza, de 29 de agosto a 4 de setembro, a sua Semana de Combate ao Tabagismo. Entre as ações que serão desenvolvidas, está a exibição de um filme sobre o tema que será passado em salas de espera das Unidades Básicas de Saúde, além da distribuição de um folder com orientações de prevenção e combate ao tabagismo.
É uma doença
O tabagismo é reconhecido como uma doença epidêmica que causa dependência física, psicológica e comportamental semelhante ao que ocorre com o uso de outras drogas como álcool, cocaína e heroína. A dependência ocorre pela presença da nicotina nos produtos à base de tabaco. A dependência obriga os fumantes a inalarem mais de 4.720 substâncias tóxicas como monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de 43 substâncias cancerígenas, sendo as principais: arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas.
Algumas dessas substâncias tóxicas também são responsáveis por irritação nos olhos, no nariz e na garganta, além de paralisia nos cílios dos brônquios. Desse modo, o tabagismo é causa de aproximadamente 50 doenças, muitas delas incapacitantes e fatais, como câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.
Parar de fumar é possível
Em Canoas, na Unidade Básica de Saúde Rio Branco, está sendo desenvolvido trabalho que, em pouco tempo, já apresenta resultados positivos. Coordenado pela médica de Família e Comunidade Ana Cláudia Magnus, desde junho, a unidade vem contando com grupo de cessação do tabagismo. "O primeiro grupo, como um projeto piloto, contava com apenas sete pessoas. Destas, cinco pararam de fumar. É um número considerável dentro da literatura médica para o assunto", destacou Ana Cláudia. Tendo como base os procedimentos estabelecidos pelo Instituto Nacional do Câncer, os grupos realizam seis encontros onde são considerados os aspectos psicológicos, comportamentais e químicos daquele que deseja parar de fumar. Para os que param, os encontros passam a ser mensais, de manutenção. Atualmente, a unidade está trabalhando com novo grupo com 15 pessoas e, segundo Ana Cláudia, já existe uma fila de espera. "Muita gente tem medo de parar de fumar porque desconhece que existe um tratamento que é aplicado sobre vários aspectos, não apenas o medicamentoso", diz a médica.
No Brasil, a prevalência de tabagismo vem diminuindo ao longo dos anos. Em 1989, o percentual de fumantes de 18 anos ou mais no país era de 34,8%. Já em 2013, de acordo com pesquisa mais recente, para essa mesma faixa etária em áreas urbanas e rurais, este número caiu para 14,7%. "Existe uma mudança cultural, associada a leis de proteção e prevenção, que vêm fazendo com que caia o número de fumantes no país", comenta a médica Ana Claudia Magnus.
Ajuda é necessária
A maioria dos participantes do programa na UBS Rio Branco concorda que, sem ajuda, é muito difícil parar de fumar. M.C, 58 anos, diz que fuma há pelo menos 42, mas se sente mais confortável em saber que pode parar com a ajuda de pessoal especializado. A mesma opinião é compartilhada por J.N.S, 70 anos e que fuma desde os 12 anos de idade. A médica Ana Cláudia Magnus fez um rápido cálculo para os participantes: considerando apenas o consumo de uma carteira de cigarros por dia, parar de fumar significaria uma economia de, em média, R$ 2.500,00 ao ano.
Números assustadores
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. Dessas, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral). O tabagismo é também um fator importante de risco para o desenvolvimento de outras doenças, tais como a tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose e catarata, entre outras doenças.
O que se ganha não fumando
Ao parar de fumar seu corpo vai recebendo benefícios constantes, tais como:
Após 20 minutos: pressão sanguínea e pulsação voltam ao normal;
Após 2 horas: Não há mais nicotina circulando no seu sangue;
Após 8 horas: O nível de oxigênio no sangue normaliza;
Após 12 a 24 horas: Os pulmões já funcionam melhor;
Após 2 dias: seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já sente melhor o sabor da comida;
Após 3 semanas: respiração se torna mais fácil;
Após 1 ano: o risco de morte por infarto cai pela metade;
Após 5 a 10 anos: O risco de sofrer um infarto será igual ao de pessoas que nunca fumaram.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234