Carregando! Por favor aguarde...
Uma personagem querida pelos pais e respeitada pelas crianças esteve na noite desta segunda-feira em Canoas: a Super Nanny. Cris Poli, a pedagoga que interpreta a personagem da série do do SBT, veio especialmente para a Jornada Canoense ela Primeira Infância e palestrou para mais de 500 pessoas no auditório do Unilasalle.
Antes da atividade com a Super Nanny, o grupo Luz e Cena, de Novo Hamburgo, fez uma apresentação lúdica sobre os cuidados dos pais com a saúde das crianças. Depois do projeto levado pelo teatro, foi a vez da famosa "babá" entrar em ação.
Durante a palestra "A arte de educar com limites", Cris fez uma apresentação sobre os principais conceitos desta difícil tarefa. E começou falando sobre o momento mais delicado de absorção do conhecimento e dos valores da criança: de acordo com ela, até os sete anos de idade. "Ela aprende muito nesse período e isso começa quando o bebê nasce, no primeiro convívio com os pais. Por isso, é importante investir nessa idade para definir o caráter da criança", ensinou. Cris relatou também os problemas que os pais enfrentam, situações que percebe dentro das famílias visitadas por ela no programa. "Quando não conseguimos resolver qualquer problema, precisamos pedir ajuda, seja para um profissional ou um amigo. Quando a situação foge do controle, é preciso reunir a família novamente".
Responsabilidade
Outro ponto citado pela pedagoga foi a responsabilidade direta dos pais sobre atitutes negativas dos filhos. "A criança é um reflexo dos pais. Os pequenos veem o exemplo e se espelham, como referência. Os pais precisam fazer uma reflexão profunda para mudanças internas e depois, como consequência, na família inteira". O processo de educação, de acordo com ela, é constante no dia. "Educamos nossos filhos o tempo inteiro. Os conceitos vão sendo digeridos aos poucos e sempre, desde o nascimento", ressaltou. Confira mais alguns da entrevista com a pedagoga:
Autoridade x autoritarismo
"Há famílias onde as crianças escolhem a roupa que vão botar, o horário em que dormem e que comem. Aí, se encontra muito perto desses pequenos o tipo de pai manipulador, o que é um erro da educação. Alguns pais dizem que vão comprar um carrinho ou uma bola para convencer o filho a tomar banho. E com isso, vai se formulando a personalidade errada de uma pessoa que ainda é pequena e em construção".
Existe fórmula para ter autoridade? De acordo com ela, o perigo estar em confundir autoridade e autoritarismo. "Quando se eleva a voz, se perde o controle. E o filho percebe isso com clareza. Aí, se perde o respeito".
Permissividade
"A orientação principal sempre vem dos pais. Não adianta querer colocar a responsabilidade dessa educação na babá, na escola, na vovó. Muitos pais reclamam disso, que passam o dia fora e precisam de ajuda. A ajuda é necessária, mas a principal orientação é dos pais. Tenho visto nas famílias um sentimento de culpa dos pais pelo pouco tempo que têm para passar com os filhos. Os pais não precisam sentir essa culpa e assumir a responsabilidade no pouco ou muito tempo que têm com eles. O problema é que nesse pouco tempo com as crianças queremos fazer outras coisas. E assim os pais se tornam permissivos. A criança precisa ouvir "sim", "não", "agora". Se criamos filhos com permissividade, os filhos crescem em um ambiente utópico. A vida não é permissiva".
Rotinas e disciplinas
"É preciso organizar o tempo livre com os filhos. Isso dá segurança para os pais e para as crianças. Mas isso não pode se tornar uma bagunça, é preciso ter ordem. Além disso, os pais precisam ter o controle de regras, para se formar um campo de disciplina. Os conceitos passados pelos pais serão facilmente entendidos pelas crianças, mas pais e mães precisam ter essas regras muito claras, para não passar um mau exemplo para crianças. Uma criança começa a entender regras de obediência a partir dos dois anos".
Castigo
"Qualquer tipo de castigo é feito em situação de descontrole e stress. Isso não muda o comportamento da criança, porque se trata apenas de uma violência verbal, física ou moral. Castigo não educa os filhos. Se a criança tem os limites desde cedo, não se chega a qualquer estágio de castigo".
Respeito
"Se a criança vive em um ambiente com respeito, se ela percebe isso nos pais, ela permanece no mesmo quadro. Uma conversa com a criança, prestando atenção no que ela fala, dar atenção, também é respeito dos pais com os filhos. Não é uma via de mão única, onde só os pequenos respeitam os pais. Muitos pais confundem respeito com medo: o medo paralisa e as crianças não sabem o que fazer. Parece que ela obedeceu, mas na verdade, houve medo."
Individualismo
"As casas hoje têm três, quatro televisões. Sem contar os videogames, os computadores. Se cada um estiver em um canto da casa à noite, não há interação com a família e se perde o conceito da unidade. É preciso ter momentos entre pais e filhos, para que todos possam trocar experiências".
Autonomia
"Precisamos ensinar alguns conceitos que transformem a criança, desenvolvam e proporcionem o crescimento. Tenho visto alguns pais darem banho em crianças de sete, oito anos. Nessa idade ele já consegue se vestir ou fazer a própria higiente. Mostrar para que ela faça sozinho ensina autonomia e não cria filhos dependentes em excesso. Caso contrário, quando o filho crescer e se tornar um adulto, perguntará tudo aos pais, sem tomar decisões."
Elogio
"Elogiar é um agrado às crianças, um reconhecimento dos pais. Eles querem uma atenção dos pais, querem saber o que os pais querem deles. Nossas palavras têm poder. Podemos acabar ou levantar a autoestima de uma criança. Se ele é colocado pra baixo, se torna uma criança e um adulto sem motivação".
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234