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A expressão "Viva!" significa sempre um momento de celebração. E não há como ser diferente o nome de um programa que comemora histórias de superação e de recomeço para ex-dependentes químicos que decidem acabar com o vício e procuram ajuda a quem pode pode mudar este caminho. Há dois anos, o programa Canoas Viva! atende pessoas que por muitos anos foram usuárias de álcool e drogas e que, desde o início desta semana, percorrem os quadrantes da cidade para divulgar a ação e procurar por outras pessoas que também queiram mudar a sua história.
Reforço de vínculos
Sediado na Secretaria da Saúde, o gabinete da ação tem como parceira a Secretaria de Desenvolvimento Social, que trabalha com prevenção voltada ao reforço de vínculos desde a infância. "Temos grupos para mães e bebês, grupos de dança e atividades em família, entre outras ações. A ideia é prevenir e conscientizar sobre caminhos que podem causar sofrimento e os que podem salvar vidas", declarou a gerente do projeto na Secretaria, Luciane de Oliveira.
Outra frente de trabalho está na Secretaria de Segurança Pública e Cidadania. "Nosso trabalho é fazer as rondas nas escolas, conversar com os alunos, enfim, evitar o consumo e principalmente o vício", explica o gerente do projeto na pasta, Márcio Acosta. Uma das coordenadoras do programa na Secretaria da Saúde, Geisa Belmonte, ressalta que os ex-dependentes estão indo à comunidade para conscientizar e quebrar tabus. "Eles conversam diretamente com o cidadão, expondo as suas histórias e principalmente mostrando que há outros caminhos".
Recomeço
Um dos usuários da rede que ajuda no trabalho de divulgação é o canoense Juvenal*, de 52 anos. Morador do Albegue Municipal, ele afirma que conviveu mais de 20 anos com vício no álcool.
Juvenal, que já foi casado, lembra que as equipes que atuam nesta ação sabem muito sobre o problema, mas na prática, quem viveu isso foi ele e os companheiros em tratamento. "A gente conviveu com esse sofrimento, passou por coisas ruins pra chegar até aqui". Para ele, a iniciativa de buscar ajuda sempre deve ser do próprio dependente. "O CAPS não faz milagre. Tem querer, e muito, mudar a própria história. Foi o que fiz", diz com orgulho.
Longe da cocaína
A publicitária Ana* trabalhou durante vinte anos em emissoras de televisão e produção de vídeos. Mas o vício em cocaína no mesmo período mudou totalmente sua rotina. Ana acabou mudando os rumos profissionais e há 12 anos atende como garçonete em bares da cidade. Há um ano, no entanto, está licenciada do trabalho pelo INSS para fazer o tratamento que desde janeiro deste ano a mantém longe da droga. Ana afirma que um dos momentos que mais marcaram sua recuperação - que incluiu 21 dias de desintoxicação em Cidreira, em uma clínica conveniada pela Prefeitura - foi contar ao filho sobre o vício. "Ele disse que já suspeitava, mas tenho nele a força para me manter nesse caminho."
Para ela, o acolhimento no CAPS foi essencial para a decisão de deixar de lado a dependência. "Eles me devolveram o gosto da vida. E isso ninguém mais me tira", diz emocionada.
Os próximos encontros com a comunidade ocorrem na próxima quarta-feira (28), no bairro Niterói (Rua Júlio de Castilhos) e no dia 4 na Rua Mauá, no bairro Rio Branco. O telefone de contato do Canoas Viva! é 3462.1692.
* Os sobrenomes foram ocultados para preservar os usuários do Canoas Viva!.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234