A Secretaria Municipal de Assistência Social de Canoas (SMASCI) estima que existam cerca de 17 crianças nas ruas de Canoas, a maioria oriunda de municípios vizinhos, pedindo esmolas e praticando atividades alusivas à exploração do trabalho infantil. Para minimizar ou mesmo erradicar estas práticas, o Serviço de Proteção à Criança e ao Adolescente da SMASCI, com o apoio do Conselho Tutelar e da Delegacia Regional do Trabalho, tem permanentemente ido às ruas e locais propícios ao trabalho infantil para monitorar e encaminhar crianças e jovens, que estiverem em situação irregular, aos programas assistenciais. Nesta quarta-feira (11/10), a equipe que integra o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), composta por assistente social, socióloga e fiscais, percorreu o centro e bairros da cidade como Mathias Velho, Guajuviras, Igara e São Luís, para abordar, orientar e cadastrar os jovens nas sinaleiras, esquinas e depósitos de reciclagem.
De acordo com o titular da Smasci, Ademir Zanetti, a prática da comunidade de dar esmolas é um forte atrativo para os jovens e crianças. "Nas vias públicas, eles conseguem com certa facilidade arrecadar dinheiro em um curto espaço de tempo", diz Zanetti. Para o secretário, a retirada destas pessoas das ruas representa um verdadeiro desafio para a Administração Municipal, que além de trabalhar com os jovens, deve buscar a conscientização da comunidade para que esta não dê esmolas e sim, mostre o "caminho". Uma das alternativas, segundo o secretário, é encaminhar os jovens ao Centro de Referência da Criança e do Adolescente, localizado na rua Marques do Herval, 355, bairro marechal Rondon.
Segundo a coordenadora do Serviço de Proteção à Criança e ao Adolescente, Maristela Mignot, pedir esmolar, limpar pára-brisas e comercializar doces e frutas são algumas das atividades irregulares desenvolvidas pelas crianças. Uma das abordagens realizadas pelo grupo foi ao jovem M.P.P., 15 anos, que está há sete trabalhando nas ruas. O jovem já foi encaminhado, em outras ocasiões, a outros programas assistenciais, mas ele afirma que não gosta de estudar. "Quero sair daqui quando eu tiver 17 anos e procurar um emprego", respondeu o menino, quando questionado sobre a escola e seu futuro profissional.
A assistente social da SMASCI, Rosane Spessatto, informou que a equipe também visitou um aterro, onde localizaram um menino, que afirmou ter 17 anos e nove irmãos, mas que não soube dizer seu sobrenome e sua data de nascimento. "Ele tem dificuldade para se comunicar, então faremos uma visita domiciliar e um estudo social da família para encaixá-la nos programas oferecidos pelo município", complementa Roseane.
Maristela explica, ainda, que a busca pela erradicação do trabalho infantil é permanente. Contudo, as dificuldades também, já que os adolescentes não desejam sair das ruas porque adquirem dinheiro facilmente, doado pela comunidade. "A população precisa lembrar que a esmola retira o jovem da escola, da família e da convivência na sociedade", enfatiza a coordenadora. Para a socióloga da Comissão Municipal do Peti, Eridan Magalhães, a violência doméstica, os lares desfeitos, a falta de amor e a desagregação familiar também influenciam na saída das crianças para as esquinas. "As ruas passam a ser um lugar mais alegre do que o próprio lar, pois os laços familiares foram rompidos", acredita Eridan. Ela explica que, ao encontrarem uma criança, é elaborada uma ficha do menor, que é encaminhada pela SMASCI ao Ministério do Desenvolvimento Social.
Dados
Há 200 mil crianças e adolescentes trabalhando no Estado. No país, são mais de 2,2 milhões de crianças, embora na última década, tenha havido uma redução superior a 60%, na faixa etária de 5 a 9 anos. Com taxa inferior, o trabalho infantil de crianças de 5 a 14 anos caiu em 51%.
Segundo a Delegacia Regional do Trabalho, são formas criminosas de trabalho, a exploração sexual e comercial; o uso de crianças e adolescentes no tráfico de drogas, assalto e roubo; trabalho forçado e escravo; longas jornadas de trabalho e exploração de crianças em fase inicial de crescimento. O Peti ressalta que o trabalho infantil compromete a educação, a saúde, a alegria, a infância, o emprego dos pais, os sonhos infantis, além da postura e do aprendizado.