Projeto dá assistência alimentar e orienta canoenses como evitar o desperdício
Para orientar e combater o desperdício de alimentos, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMASCI) e o Conselho Municipal de Segurança Alimentar (Consean) recebeu, em Canoas, nesta quarta-feira (18/10), o programa social "Tá no Prato", criado em 2003 pelo governo do Estado. As ações aconteceram em sala de aula e cozinha adaptadas no ônibus do programa e consistiram em palestra para ensinar sobre o aproveitamento integral dos alimentos comercializados pela Ceasa/RS, como talos, folhas de hortaliças e cascas de frutas. A atividade, que contou com a presença de mais de 40 integrantes de projetos sociais do município - Horta Comunitária União dos Operários (Hocouno), Asefam e Pastoral da Criança -, ocorreu no bairro Mathias Velho, na Hocouno.
De acordo com o diretor do Departamento de Assistência Social, Martim Ahler, os participantes têm o compromisso de serem multiplicadores do conhecimento. Ele informa que a segunda edição do evento já está programada para a Escola Assis Brasil, no bairro Niterói. "O programa demonstra descentralização. Nós vamos onde a comunidade está e realizamos parcerias para integração de ações eficientes", aponta o diretor. Para a nutricionista da SMASCI, Teresinha Sopram, as aulas auxiliarão no combate ao desperdício de partes nobres que, culturalmente, são jogadas foras. "Não adianta ter acesso ao alimento, sem ter segurança alimentar, que está baseada em três eixos: acesso, qualidade e educação", alerta a nutricionista.
Segundo a coordenadora de nutrição do programa, Aline Muxfeldt, o uso de todas as partes de um alimento promove a economia doméstica, aumenta o valor nutritivo da dieta, estimula hábitos alimentares saudáveis, aumenta a resistência às infecções e mantém a saúde. "Assim, enquanto a família economiza, também agrega valor nutritivo à sua alimentação", declara, lembrando que muitas partes de vegetais e frutas são desprezadas pela maioria da população por desconhecimento. Ela explica que ao utilizar folhas, talos e cascas, deve-se ter cuidados com seu manuseio e preparo, não esquecendo da higienização e manutenção. Aline diz que folhas, além das cascas, são ricas em vitamina A, complexo B, além de sais minerais e fibras. Já os talos, segundo a coordenadora, são ótimos para o funcionamento dos intestinos. "As cascas de frutas, talos e folhas de beterreba, couve-flor, brócolis, cenoura e rabanete, por exemplo, podem ser utilizados em tortas, refogados, sopas, bolos, geléias, sorvetes e sucos", complementa.
A aposentada Clarice Borges, 47 anos, participa da Pastoral da Criança e pretende repassar o que aprendeu às mais de 30 mães que integram a Pastoral. "Nem eu, nem as famílias da comunidade têm esta prática. Quero passar as receitas a elas para que alimentem bem seus filhos e não joguem fora o melhor do alimento. Assim, não teremos crianças desnutridas", afirma Clarice. Para a dona de casa Jaqueline Escobar, 27 anos, integrante do programa da SMASCI Ações Sócio-Educativas à Família (Asefam), utilizar todo o alimento significa boa saúde para seus três filhos. "Os nutrientes ajudam que eles não fiquem doentes, além de economizar e não jogar nada fora", disse a dona de casa.
O programa, que beneficia 45 mil pessoas por mês, é dividido em duas etapas: Assistência Alimentar e Combate ao Desperdício. A primeira fase cadastra entidades, que, semanalmente, recebem hortifrutigranjeiros doados por produtores e atacadistas da Ceasa/RS, além de pães disponibilizados pela Seven Boys. As instituições - creches comunitárias, asilos, associações de bairro e entidades beneficentes - que desejarem cadastrar-se no programa, devem prestar algum tipo de assistência social e estarem registradas na Prefeitura de Canoas. Ao projeto, as mesmas necessitam apresentar CNPJ, Ata de Eleição, Atestado de Funcionamento e Estatuto da Entidade. Mais informações pelo telefone 2111-6631.
O programa estabelece segunda etapa: lutar contra perdas de alimentos, percorrendo o Estado em dois ônibus - tranformados em escolas-ambulante - que são equipados com uma cozinha industrial e acompanhados por nutricionistas e cozinheiras especializadas. A aulas são direcionadas às comunidades menos favorecidas do município.