Crianças canoenses são beneficiadas pelo projeto Família Social
A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMASCI) celebrou, na última quarta-feira (18/10), o aniversário de quatro anos de convênio do projeto Família Social com o Instituto Amigos da Casa Lar, Organização Não-Governamental criada em junho deste ano, com o papel de assumir a única família social de Canoas - integrada por um pai, uma mãe e onze filhos - três biológicos e oito não - que há 4 anos vivem juntos. O papel da ONG, de acordo com o diretor do Departamento de Assistência Social, Martim Ahler, é repassar os recursos da Prefeitura à família e ajudá-la na administração do projeto.
O programa prevê que os filhos recebam a verba, permanecendo na convivência dos pais até os 18 anos, mas nada impede que os filhos continuem morando na mesma residência, após este período, já que as crianças não são adotadas e sim criadas pelo casal. Optando ou não em seguir residindo com a família, os jovens são estimulados a conquistarem autonomia financeira, através de cursos profissionalizantes oferecidos por parceiros que apóiam o projeto. Martin explica que esta é a "porta de entrada" e legalmente constituída para que as crianças tenham uma família. "Nossa meta é ampliar os recursos para que possamos apoiar outras famílias", afirma o diretor, salientando que os interessados são avaliados pela SMASCI, Juizado da Infância e da Juventude e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica).
A coordenadora da ONG, Maria Cristina Morsch de Oliveira, enfatizou o apoio da Prefeitura, dos colaboradores e convênios que, espontaneamente, tem dado suporte ao trabalho, através de doações. Pessoas interessadas em colaborar devem dirigir-se à própria residência - rua Doutor Carlos Santos Rocha, 90, no Centro - ou depositar na conta 73802-6, da agência 0479-0, Banco do Brasil. O projeto é uma parceria com a Agência de Desenvolvimento de Recursos Assistenciais da Igreja Adventista do 7º Dia (Adra), Mutirão de Natal do Rio Grande do Sul e Federação de Empresários Adventistas (FE). Cristina esclarece que o projeto foi criado porque as crianças foram destituídas do pátrio-poder da família, já que algumas foram vítimas de violência e/ou negligência. "Era importante para a formação das crianças, a revinculação com um ambiente familiar", aponta a coordenadora.
Para Clenyr Timm, 48 anos, que assumiu a função de mãe social na ONG, este papel é vitalício. "É um exercício constante de amor", declara. "Já tinha experiência com as minhas três filhas. Elas eram a minha fonte de amor e como amar não custa nada, o nosso papel é reproduzi-lo", complementa Clenyr, afirmando que sempre desejou filhos homens. O pai, Itamar Timm, 49 anos, também auxiliar administrativo da ONG, afirma que esta é a oportunidade de formar bons cidadãos e cristãos. "Aprendemos com nossos pais o significado do amor, e, então, transmitimos aos nossos filhos dando proteção e apoio", acredita Timm.
As crianças - a mais nova tem 6 anos e a mais velha, 17 - contam que suas rotinas são iguais a de qualquer outra criança que vive em família. "Somos como uma família normal. A gente vai à escola, brinca, se diverte, aprende o que é certo e o que é errado", brinca uma das garotas. "Nós nos amamos como irmãos e chamamos nossos pais de pai e mãe", completa um dos meninos.
Quanto à aceitação das filhas biológicas, - atualmente com 18, 27 e 30 anos - os pais afirmam que elas receberam muito bem as cinco meninas e três meninos que integravam duas famílias distintas - 6 irmãos de uma e 2 de outra. "A adaptação dos menores foi muito rápida, e então, a convivência sempre foi boa, não esquecendo que em família sempre há alguns desentendimentos naturais", diz Clenyr. "Eu e meu marido largamos tudo em Porto Alegre, local em que morávamos há 10 anos e viemos morar em Canoas para cuidar das crianças. Elas precisavam de nós e hoje somos uma família", finaliza a mãe social.