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O canoense Jonatan Felipe Borges da Silva, 18 anos, marcou o gol que garantiu a medalha de ouro da Seleção Brasileira de Futebol de 5 para Cegos que disputou o Parapanamericano de Jovens 2017, disputado em São Paulo entre os dias 20 e 25 de março. A final foi disputada contra a Argentina e a partida terminou 1 a 0 para o Brasil.
No futebol de 5, como em muitos outros esportes, essa é uma das maiores rivalidades. Na estreia da competição, a Argentina havia vencido a equipe verde e amarela pelo mesmo placar, deixando os brasileiros apreensivos por se tratar de um torneio curto.
Jonatan é atleta da Associação Gaúcha de Futsal para Cegos (Agafuc). Ele joga a modalidade desde os 14 anos e demonstrou empolgação com o título. "Na final, nós entramos com receio em razão de ter perdido o primeiro jogo para a Argentina. Felizmente, conseguimos vencer e ainda fiz o gol do título", relembrou.
O jogador conta que sua meta é chegar à seleção principal. "Quero continuar e fazer bonito pelo Brasil e no Agafuc", acrescentou. Jonatan treina duas vezes por semana na quadra do Ajax, no bairro São Luiz, em Canoas.
Esta foi a primeira vez que o futebol de 5 fez parte da grade de competições dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens. E além de ser o primeiro país a conquistar o título, o Brasil manteve a invencibilidade, agora com a equipe de base, de ser campeão de todas os campeonatos que disputa desde 2007.
Como é praticado
O futebol de 5 é exclusivo para cegos. As partidas normalmente são em uma quadra de futsal adaptada com uma banda lateral (barreira feita de placas de madeira que se prolonga de uma linha de fundo à outra, com um metro e meio de altura, em ambos os lados da quadra, evitando que a bola saia em lateral, a não ser que seja por cima desta), mas desde os Jogos Paralímpicos de Atenas também vem sendo praticado em campos de grama sintética, com as mesmas medidas e regras do futebol de salão.
Cada time é formado por cinco jogadores: um goleiro, que tem visão total e quatro na linha, totalmente cegos e que usam uma venda nos olhos para deixá-los todos em iguais condições, já que alguns atletas possuem um resíduo visual (vulto) que dão, nesta modalidade, alguma vantagem a estes.
Há ainda um guia, o Chamador, que fica atrás do gol adversário orientando o ataque de seu time, dando a seus atletas a direção do gol, a quantidade de marcadores, a posição da defesa adversária, as possibilidades de jogada e demais informações úteis. É o chamador que bate nas traves, normalmente com uma base de metal, quando vai ser cobrada uma falta, um pênalti ou um tiro livre.
Contudo, o chamador não pode falar em qualquer ponto da quadra, e sim, quando seu atleta estiver no terço de ataque. Este terço é determinado por uma fita (marcação) que é colocada na banda lateral, dividindo a quadra em três partes: o terço da defesa, onde o goleiro tem a responsabilidade de orientar; o terço central, onde a responsabilidade é do técnico e o terço de ataque, onde a responsabilidade da orientação é do chamador.
A modalidade, ao contrário do futebol convencional, deve ser praticada em um ambiente silencioso. A torcida, bastante desejada nesta modalidade, deve se manifestar somente quando a bola estiver fora do jogo: na hora do gol, em faltas, linha de fundo, lateral, tempo técnico ou qualquer outra paralisação da partida.
A bola possui guizos, necessários para a orientação dos jogadores dentro de quadra. Daí a necessidade do silêncio durante o andamento da partida. Através do som emitido pelos guizos, os jogadores podem identificar onde ela está, de onde ela está vindo e podem conduzi-la.
Regras
De modo geral, são as mesmas utilizadas no futebol de salão convencional. Algumas daquelas que diferem são: dois tempos de 25 minutos, sendo os dois últimos de cada tempo cronometrados e um intervalo de dez minutos; uma pequena área de onde o goleiro não pode sair para realizar defesa nem pegar na bola de 5 por 2 metros; após a terceira falta, é cobrado um tiro livre da linha de oito metros ou do local onde foi sofrida a falta.
Os jogadores são obrigados a falar a palavra espanhola "voy" ("vou" em português), sempre que se deslocarem em direção a bola, na tentativa de se evitar choques. Quando o juiz não ouvir, ele marca falta contra a equipe cujo jogador não disse o "voy".
Campanha da Seleção
1ª fase
Brasil 0 x 1 Argentina
Brasil 2 x 1 Colõmbia
Brasil 5 x 0 México
Final
Brasil 1 x 0 Argentina
Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234