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A construção mitológica do gaúcho é um ideal romanceado ou a afirmação de um passado politicamente negado? Essa questão foi uma das idéias que fluíram nesta noite no centro de Canoas, em mais um debate sobre a possibilidade de construção de uma identidade brasileira, durante a quarta edição do projeto DNA do Brasil. O encontro foi realizado no auditório Vinícius de Moraes, vinculando-se a programação da 29.ª Feira do Livro de Canoas. Abordaram o tema dessa vez o escritor, professor e tradutor Donald Schüler e o jornalista Luiz Cláudio Cunha.
A atividade foi aberta pela secretária adjunta de Cultura, Isabel Poggetti, que ressaltou a importância desse projeto para o fortalecimento da reflexão sobre o modo de ser regional. "Nesse País, com tanta diversidade cultural, propomos o aprofundamento sobre o nosso jeito de ser gaúcho e, posteriormente, o nosso jeito de ser brasileiro". Ela também lembrou o protagonismo que Canoas tem tido nas últimas semanas, com a presença de personalidades de expressão. "Tivemos ontem aqui nesse mesmo espaço, o escritor Ariano Suassuna, que sintetiza toda essa expressão da cultura brasileira", nota.
Durante cerca de 1h30 minutos os convidados abordaram questões como brasilidade, romantismo, imigração, desenvolvimento, revoluções regionais e turismo, em diferentes perspectivas.
Mitos e Controvérsias
Abrindo a fala da noite, o professor Donald Schüler realizou uma recuperação histórica da construção do gaúcho, desde nossa independência. Nela, distinguiu duas noções sobre a o modo de ser gaúcho, construídas em nossa cultura: uma, seria a partir dos românticos, tendo entre as obras referências "O Gaúcho", de José de Alencar; outra, afirmada a partir dos açorianos e suas expressões artísticas, e na obra de Cyro Martins, na qual o gaúcho marginalizado é destacado.
O jornalista Luiz Cláudio Cunha, por sua vez, abordou questões mais pontuais, a partir de sua experiência como repórter no exterior, em diversas regiões do Brasil e no interior do RS. Citando o sociólogo Chico Oliveira (Usp), ele apresentou a questão: Por que o Rio Grande? A partir disso, reproduziu e comentou conjecturas daquele intelectual paulista sobre o mito do gaúcho como construção realizada por tradicionalistas como forma de reafirmação de uma cultura regional abafada pelo ex-presidente Getúlio Vargas após o Estado Novo.
A partir desses dessas duas posições centrais, os painelistas abordaram outros temas, relativos a nossa necessidade de afirmação regional, em contraste com a idéia de brasilidade.
Quase no encerramento da entrevista, o professor Donald Schüller reagiu com profundidade a um questionamento sobre o poder da ficção influenciar a realidade. "A ficção sempre cria a realidade. A Itália não seria Itália senão fosse a Divina Comédia; a Alemanha não seria Alemanha senão fosse Goethe; A Inglaterra não seria Inglaterra senão fosse Shakespeare; o Brasil não seria o Brasil, senão fosse Machado de Assis". A declaração teve o aplauso do público. A atividade foi encerrada pelo diretor de Cidadania Cultural da SMC, Almiro Gherat (Cebola).
O Projeto
O DNA do Brasil é uma realização da Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Cultura, em parceria com o Unilasalle. O projeto propõe a construção de um retrato sobre a "Formação Histórica e Cultural do RS e do Brasil", a partir de olhares de expoentes em diversas áreas sociais. Para o segundo módulo, previsto para o próximo ano, a abordagem deve enfocar outras culturas regionais do país.
Próximos debates:
10 de julho - Marcos Rolim e Esther Pillar Grossi
14 de agosto - Sergius Gonzaga e Juremir Machado da Silva
11 de setembro - Cintia Moscovich e Luis Augusto Fischer
9 de outubro - Arthur de Faria e Roger Lerina
13 de novembro - Tarso Genro e Jairo Jorge
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234