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As implicações das relações de classe em diferentes momentos históricos do País na nossa formação cultural e as distâncias entre o modelo de ensino tradicional e uma proposta pedagógica moderna estiveram nesta noite no centro das intervenções durante mais uma edição do projeto DNA do Brasil. "Nós somos filhos de quem? Nosso pai é um genocídio e nossa mãe a escravidão. Isso formata o nosso DNA", analisou o jornalista Marcos Rolim durante a abertura do evento.
Uma plateia expressiva, formada por estudantes, professores e outros convidados participaram de mais essa edição do projeto, realizada no Salão de Atos do Unilasalle. O evento foi aberto pela secretária adjunta, Isabel Poggetti, que observou a missão provocadora e pedagógica desses encontros. "Isso é o DNA: propor que a gente pense, inclusive nas coisas que doem, e partir disso, criar", resume. Na plateia, também acompanharam o debate o secretário municipal de Cultura, Luciano Alabarse, entre outros gestores da SMC.
Contradições
A partir de uma proposição reflexiva, Rolim realizou em sua fala um rápido panorama de algumas contradições históricas entre o Estado e a sociedade civil brasileira, relacionando-as com a construção de nossa cidadania. "Não seria o mal o resultado da ausência de reflexão", provocou ele na aberturado encontro, citando a pensadora alemã Hanna Arendt. Em sua contextualização, ele também destacou a violência como um componente marcante em nossa cultura, imposta por um Estado que atuou "A ferro e fogo para os debaixo e reconciliador para os de cima".
Em uma outra perspectiva, a educadora Esther Pillar Grossi apresentou aspectos essenciais que constituíram o nosso modelo de ensino vigente, conforme ela, orientado originalmente por um viés catequista e repetitivo, que mantém vícios até os dias atuais. "A escola tem que ajudar as pessoas a compreender o seu estado nesse mundo", observa. Por meio de metáforas e citações de autores determinantes na pedagogia moderna (J. Piaget, L. Vygotsky, P. Freire, R. Alves, etc), a educadora foi explicando e discutindo conceitos centrais no ato de ensinar, problematizando desafios que se apresentam nessa área. "Temos que fazer a nossa aula desejante", propõe.
Novo Modelo
Ambos os painelistas também utilizaram referências de suas experiências como professores e ex-deputados federais para falar sobre obstáculos e desafios para a qualificação da classe política. No encaminhamento final do encontro, como tem ocorrido nas demais edições do DNA do Brasil, a plateia teve oportunidade de apresentar questões. No fechamento, os palestrantes fizeram referência às atuais manifestações civis pelo País, apresentando uma perspectiva consensualmente otimista sobre tais movimentos. "Não construímos ainda no País uma cultura democrática; é preciso pensar um novo modelo político", assinala Rolim.
No final do encontro, a educadora Esther Pillar Grossi, por sua vez, distribuiu aos presentes o texto "Para não repetir a barbárie dos colonizadores", abordando os desafios nos investimentos para a alfabetização no País. Ela também distribuiu merengues aos participantes, simbolizando as mudanças que ela propõe no modelo de ensino vigente.
Inaugurado em abril deste ano, o projeto DNA do Brasil propõe um debate sobre a questão do reconhecimento ou construção de uma identidade brasileira, a partir de expoentes da cultura gaúcha. Essa iniciativa é uma realização da Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Cultura, em parceria com o Unilasalle.
Próximos encontros
14 de agosto - Sergius Gonzaga e Juremir Machado da Silva
11 de setembro - Cintia Moscovich e Luis Augusto Fischer
9 de outubro - Arthur de Faria e Roger Lerina
13 de novembro - Tarso Genro e Jairo Jorge
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234