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O jornalista, escritor e professor Juremir Machado da Silva e o professor e escritor Sergius Gonzaga refletiram sobre o "jeito de ser" do brasileiro e, especialmente, do gaúcho, em mais uma edição do projeto DNA do Brasil, na noite desta quarta-feira, 14, no Salão de Atos do Unilasalle.
Na abertura do encontro, o secretário municipal de Cultura, Luciano Alabarse, disse que a presença de muitos jovens do debate mostrava uma escolha acertada pela troca de ideias, afirmando que os convidados são figuras da maior importância para a cultura do Estado.
"Autoengano"
Na avaliação de Juremir, que se considera polemista e não polêmico, o brasileiro é "geneticamente corrupto". Citou que logo após chegar ao Brasil, Pero Vaz de Caminha enviou carta ao rei de Portugal pedindo favor para um cunhado.
Juremir também lembrou fatos históricos para comprovar que "grandes gaúchos", considerados heróis, como Bento Gonçalves, Rafael Pinto Bandeira, Domingos José de Almeida e General Neto, foram corruptos e apenas defenderam interesses pessoais. Disse que a corrupção consolidou-se no século XIX, quando as leis "não pegavam". Se uma delas era colocada em prática, como a que proibia o tráfico de escravos, todas as instâncias de poder eram corrompidas, incluindo o Judiciário.
Para ele, os gaúchos sempre deram um jeito de passar uma auto-imagem melhor do que a verdadeira. Para isso distorcem a verdadeira história, como no caso da Revolução Farroupilha, praticando constantemente o autoengano.
Dissonância
Gonzaga, por sua vez, analisou que até a década de 60, havia "ilhas culturais" no Brasil, devido às dificuldades de comunicação e de transporte. Com o processo de modernização do país, iniciado pelos governos militares, ocorreu o processo de homogeneização, por meio da TV.
O professor observou, no entanto, que no RS houve uma dissonância, especialmente na área cultural. Citou como exemplos o surgimento de um estilo de música urbana porto-alegrense, o movimento nativista e a "efervescência" nas artes plásticas. Gonzaga considera que os gaúchos são os que mais valorizam e respeitam a cultura no Brasil. Como ponto negativo, citou a intolerância, concluindo que a cultura gaúcha é complexa e contraditória.
O projeto
O DNA do Brasil é uma realização da Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Cultura, em parceria com o Unilasalle. O projeto propõe a construção de um retrato sobre a "Formação Histórica e Cultural do RS e do Brasil", a partir de olhares de expoentes em diversas áreas sociais.
Próximos debates
11 de setembro - Cintia Moscovich e Luis Augusto Fischer
9 de outubro - Arthur de Faria e Roger Lerina
13 de novembro - Tarso Genro e Jairo Jorge
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234