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O potencial de articulação e criatividade da juventude gaúcha diante da censura e do medo, no auge da ditadura militar brasileira, foi lembrado pela jornalista Ivette Brandalise no painel de abertura do segundo ciclo do Projeto DNA do Brasil. O evento, que se iniciou às 19h, lotou o Salão de Atos La Salle nesta segunda-feira (5).
A painelista lembrou a todos que o período da ditadura também foi de silêncio. "Não falávamos mal das autoridades nem para os filhos da gente”, relatou ao lado do produtor teatral Milton Mattos, um dos fundadores do Teatro de Equipe, marcante experiência artística gaúcha dos anos 60.
Estudantes, professores, pesquisadores e artistas participaram do DNA do Brasil, aberto pela secretária adjunta de Cultura de Canoas, Isabel Poggetti, que também é professora. Segundo ela, o projeto DNA do Brasil se propõe a difundir o conhecimento e a reflexão. "Olho para essa plateia lotada de jovens, de várias idades, e constato que essa é a cara do DNA", afirmou.
Arte e Política
Na abertura, o arquiteto e ator Milton Mattos traçou um panorama do golpe militar de 1964, desde os seus antecedentes, em que se inclui pela Campanha da Legalidade. Por meio de histórias vivências, enquanto artista e ativista estudantil, Mattos descreveu parte das expectativas, sonhos e frustrações de sua geração.
Como um dos fundadores do Teatro de Equipe no RS, ele apontou fortes relações entre a arte e a política no período. "Eu, Paulo José e Mário Almeida sentimos que devíamos nos empenhar por um teatro que pudesse intervir naquela realidade, que era organizada pela extrema direita", afirma.
Ivette Brandalise, ex-integrante do Teatro de Equipe, falou da sua experiência na imprensa no período da ditadura. "Meus editores eram mais rígidos comigo do que a polícia. O grande censor daquele momento foi o medo", afirmou a jornalista, que também é psicóloga.
A painelista salientou ainda as relações de apoio dos movimentos estudantis e culturais ao então governador Leonel Brizola. "Quando o pessoal do teatro apresentou ao governador a letra do Hino da Legalidade, que começava com Avante, gaúchos (...), Brizola corrigiu: Avante, Brasileiros", recordou.
Olhares e aprendizado
Após as intervenções dos convidados, todos puderam comentar sobre o tema em debate. Alguns elogiaram a qualidade do debate provocado pelo DNA do Brasil. "Este debate é muito válido, pois aborda questões e consequências graves ocorridas em nossa sociedade. Temos aqui jovens de vários níveis de instrução, o que torna esse momento ainda mais importante. São ações como essa que estimulam o sujeito a se tornar cidadão", avaliou o professor de história Raul Cardoso, que acompanhou a sua turma de História Internacional.
O que é o DNA do Brasil
Inaugurado em abril de 2013, o Projeto DNA do Brasil reúne em Canoas pessoas de reconhecido destaque no cenário cultural do Estado - artistas, intelectuais e gestores públicos. O objetivo é o debate sobre a identidade brasileira. No ano passado, os enfoques do palestrante partiram da perspectiva cultural gaúcha. Neste ano, o tema abrange a história do país, com ênfase nos 50 anos do golpe militar.
O projeto envolve parceria com o Unilasalle, que no ano passado inseriu o projeto no curso de mestrado profissional: Memória Social e Bens Culturais da instituição. Nele, acadêmicos participam do módulo como parte integrante de sua formação. A atividade é sempre gratuita e aberta a toda comunidade.
Próximos encontros
Dia 5 de junho
Palestra com Zuenir Ventura e Milton Hatoum
Mediador: Sérgius Gonzaga
Horário: 19h30
Auditório da 30ª Feira do Livro (Praça da Bandeira, Centro)
Dia 15 de Julho
Palestra com Caroline Silveira Bauer e Rafael Guimaraens
Horário: 19h30
Salão de Atos do Unilasalle (Avenida Vitor Barreto, 2288 - Centro)
Ouça na Rádio Canoas Online a reportagem Ivette Brandalise debate os 50 anos do golpe no DNA do Brasil.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234