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Memórias, silêncios e reflexões predominaram entre a plateia que assistiu, na noite desta sexta-feira (5), a exposição da filósofa Dilza de Santi sobre sua trajetória de ativista política nos anos 60, em mais uma edição do projeto DNA do Brasil, iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) de Canoas, com o apoio do Unilasalle.
Dilza substituiu a pedagoga Carmen Craidy, que teve problemas pessoais para comparecer ao evento. O evento ocorreu no Salão de Atos do Unilasalle e contou com a participação de estudantes e professores do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e de diversos cursos do Unilasalle.
O debate também contou com a participação do sociólogo, músico e apresentador de rádio Demétrio Xavier. Acompanharam o evento, ainda, na plateia, a secretária adjunta de Cultura, Isabel Poggetti, o chefe de gabinete da SMC, Eduardo Garcez Paim, e outros gestores dessa secretaria.
Reflexão
A partir de um relato de sua juventude, desde o ativismo estudantil, em Uruguaiana (RS), até a plena atuação de resistência ao governo militar, passando pela clandestinidade, em São Paulo, a filósofa e ex-militante da Ação Popular (AP), Dilza de Santi, provocou os presentes a pensar sobre o que significa hoje o passado dos governos autoritários brasileiros.
A palestrante foi interrrompida por aplausos durante uma pausa de emoção, entre sua fala, ao mencionar sua prisão e de seu marido, na ocasião em que tinha um filho de 15 dias. "Foi difícil, mesmo assim, sobrevivemos ao terror da Operação Bandeirantes", afirmou, com o olhar distante.
História e melodias
Ao assumir a palavra, o sociólogo Demétrio Xavier se propôs a realizar um elo entre a sua antecessora e o presente, abordando a questão do golpe militar brasileiro e suas consequências como um fenômeno que vitimou e vitima a todos, em diferentes níveis, e não apenas ativistas radicais, como, segundo ele, a mídia às vezes faz supor. "A ditadura ainda tem seu efeito prolongado na lei, nas instituições e outras instâncias da sociedade. Há um lixo autoritário", avalia.
Ao contar sua formação estudantil e musical, o músico contextualizou momentos de sua história de vida com fatos históricos. "Nasci em 66, sou filho do Golpe", disse. Ele também relacionou o papel de nomes importantes na música latina - como Mercedes Sosa e Victor Jara - com a resistência aos regimes militares em vários países do Cone Sul. "Houve uma Operacion Condor da ditadura, mas ela também ocorreu na esquerda, com a circulação de muitos ativistas pela América Latina."
Valendo-se de sua experiência musical, entre palcos e seu programa diário sobre cultura latino-americana, Xavier emocionou a todos ao cantar "Te Recuerdo Amanda", do cantor chileno Victor Jara.
O projeto
O DNA do Brasil é desenvolvido pela Prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria Municipal da Cultura, e conta com o apoio do Unilasalle. Em 2013, foi realizado o Módulo 1 do projeto, com o tema "Os Gaúchos". Neste ano, o Módulo 2 tem como tema "50 Anos do Golpe Militar".
O próximo debate ocorre no dia 2 de outubro.
O Projeto DNA do Brasil também foi, nesta semana, tema do Momento Caminhos e Respostas, veiculado semanalmente na Rádio Canoas Online.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234