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Ireno Jardim/Matr:5963
Ativista Suzana Lisboa e historiador Nilo Piana de Castro foram os palestrantes
O historiador Nilo Piana de Castro e a ativista Suzana Lisboa - que teve o marido desaparecido durante a ditadura - relembraram episódios dos anos de chumbo no debate realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, com apoiado do Unilasalle, na noite dessa quinta-feira (2).
O evento no Salão de Atos do Unilasalle fez parte da programação do Projeto DNA do Brasil. O público foi prestigiou com uma aula sobre o período dos governos militares no Brasil. Os dois debatedores, Castro, que é doutor em Ciências Políticas, e a ativista Suzana, abordaram momentos que também marcaram suas vidas.
Relatos da ditadura
Suzana, militante pelos direitos humanos e integrante da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, relatou como foi a busca pelo marido, Luiz Eurico Tejera Lisboa, desaparecido em 1972, em São Paulo, quando ambos viviam na clandestinidade.
"Só em 1979 eu consegui descobrir que ele tinha sido enterrado no Cemitério Dom Bosco, com o nome de Nelson", relatou. Na versão oficial, ele tinha cometido suicídio em uma pensão. A ativista segue em busca pela verdade, mas salienta que teve algo que muitas famílias de desaparecidos não tiveram: "Eu pude enterrar o Luiz Eurico, ao contrário de uma centena de pais e mães que morreram sem poder fazer isso."
Mídia uniu-se aos militares
O historiador Castro fez um resgate da política brasileira, do golpe militar até a eleição indireta de Tancredo Neves a presidente do Brasil, em 1985. Em sua fala, o cientista político deixou claro o apoio da mídia ao golpe militar e aos governos da ditadura.
"O golpe foi midiático. Jornais, TVs e rádios criaram um clima psicossocial na classe média para que o golpe acontecesse. De acordo com Castro, o objetivo era impor medo para que ela pensasse que o Brasil tornaria um país comunista. "Diziam que o Estado precisava de um sistema moralizante e de pulso firme para voltar ao seu lugar. No entanto, o Brasil tinha chance quase zero de se tornar comunista. O que existia era uma vontade social de participar de decisões", relatou.
O Projeto
O DNA do Brasil é realizado pela Secretaria Municipal da Cultura e conta com o apoio do Unilasalle. Em 2013 iniciou-se o Módulo 1 - Os Gaúchos. Neste ano, o Módulo 2 tem como tema "50 Anos do Golpe Militar". A primeira fase dos debates ocorreu em junho, com a participação dos escritores Zuenir Ventura e Milton Hatoum.
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