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Ireno Jardim/Matr:5963
Historiadora Ana Colling e o escritor e arquiteto Cesar Dorfman no Salão de Atos do Unilasalle
O DNA do Brasil - 50 Anos do Golpe Militar, projeto da Secretaria Municipal da Cultura (SMC), realizou o último debate do ciclo deste ano na quinta-feira (6), às 19h30, no Salão de Atos do Unilasalle. A participação da mulher militante durante a ditadura militar e fatos de 1963 em Havana, Cuba, foram tratados no encontro. Os convidados foram o arquiteto e escritor Cesar Dorfman e a professora e historiadora Ana Colling, que debateram com estudantes, professores e pessoas da comunidade.
A historiadora Ana Colling fez um resgate histórico do período da ditadura militar, que ela preferiu denominar de Golpe Civil/Militar. "Foi um período obscuro em todos os sentidos, que atrasou o sistema educacional brasileiro, desde o Jardim da Infância à universidade. A corrupção foi muito grande, com obras faraônicas. Precisamos saber dessas coisas para evitar riscos", disse Ana, salientando movimentos que querem a volta da ditadura.
Mulheres
A participação da mulher militante na período da ditadura militar foi destacada pela historiadora. Ela disse que constatou em pesquisas, que a ditadura militar foi considerada um evento somente de homens. "Ao contrário disso, muitas mulheres lutaram junto com homens, tendo sido ameaçadas, torturadas, estupradas e, em alguns casos, mortas. Esse momento histórico do Brasil ainda está para ser contado", argumentou.
A professora escreveu o livro "A Resistência das Mulheres à Ditadura Militar no Brasil", lançado em 1997, que, ainda, é uma das poucas obras sobre esse tema. "No período da ditadura, todo trabalho dos opressores era de desqualificar as mulheres. Para eles, as mulheres que estavam combatendo o governo militar eram sempre promíscuas ou homossexuais", contou.
Momentos de hoje
"Para a juventude de hoje faltam momentos como esse, proporcionado pela Secretaria de Cultura de Canoas, com alunos e professores, mostrando que a ditadura, reivindicada atualmente por muitas pessoas, foi o momento mais escuro da história do Brasil", concluiu.
Havana 63
O arquiteto e escritor Cesar Dorfman falou sobre o seu livro "Havana 63", lançado em 2003, em Havana, e que resultou da sua participação, em 1963, do Encontro Internacional de Professores e Estudantes e o 7º Congresso da União Internacional de Arquitetos de Havana. Nesse tempo, Dorfmann era estudante de Arquitetura, em Porto Alegre, e participou do evento.
De acordo com ele, 300 participantes de toda a América do Sul seguiram para Cuba em um navio russo, em uma viagem de mais de duas semanas. "Era o auge da revolução Cubana e eu assisti um dos grandes comícios de Fidel Castro, para mais de 500 mil pessoas. Assisti também uma palestra do Che Guevara", relatou o escritor.
Logo após o congresso em Cuba, em 1964, Dorfmann teve vários problemas e foi preso por um mês. "Eu sofri durante a ditadura militar. Não fui torturado, mas a prisão foi traumática e, até 1976, eu era considerado uma pessoa perigosa", explicou.
A atividade de encerramento deste ciclo do DNA do Brasil, em 20 de novembro, às 19h30, será a peça teatral "Para Sempre Poesia", que trata do Golpe Militar de 1964. A apresentação será na Casa das Artes Villa Mimosa.
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