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Para um grupo de crianças e adolescentes com deficiência, o guitarrista Stanley Jordan não era um músico famoso e talentoso e a grande atração do 4º Canoas Jazz, que encerrou neste final de semana. No domingo à tarde, na Casa das Artes Villa Mimosa, Jordan foi um artista que mostrou aos participantes do workshop de musicoterapia como a música pode ser divertida e ajudar em diferentes situações.
Durante aproximadamente uma hora e meia, o guitarrista fez atividades rítmicas e jogos musicais e apresentou algumas músicas. Todo esse trabalho foi feito de forma voluntária por Jordan, que já incorporou essa rotina a suas turnês. O artista é porta-voz da American Music Therapy Association e reserva espaços em sua agenda para visitar, palestrar e acompanhar projetos e programas que usam sons em processos terapêuticos.
"Se você se sentir triste, pode se sentir melhor se ouvir uma música. A música é capaz de nos tocar profundamente e desempenha um papel importante em nosso crescimento emocional e espiritual", disse Stanley Jordan.
A atividade
Durante o workshop, Jordan provocou todos a participar, quando, por exemplo, apresentou uma música para ensinar as direções - esquerda, direita, frente, atrás - e pediu que o público batesse palmas e fizesse sons dos mais diversos tipos, como o de um bicho de estimação e o de uma risada. Para essa tarde divertida, o guitarrista teve o acompanhamento dos dois músicos brasileiros que também o acompanharam no show de sábado, no Capão do Corvo: o baixista Duda Lima e o baterista Ivan "Mamão" Conti.
Para a menina Helena Caju, 13 anos, que tem a Síndrome de Asperger, que é um autismo de alto funcionamento, o workshop de musicoterapia foi uma excelente oportunidade para que ela pudesse conversar fluentemente em inglês (uma de suas habilidades, como autodidata) com Jordan. "Foi maravilhoso. A Helena faz musicoterapia em Porto Alegre, gosta muito de uma grande variedade de músicas e, quando ficou sabendo da oficina em Canoas, fez questão de participar", comentou a mãe dela, Silvia.
Kauanny Gonçalves da Silva, 14 anos, também se divertiu muito com a mãe, Tatiana, na música que falava sobre a direção. Quando falava em "esquerda" ou "direita", "para frente" ou "para trás", era para esse lado que a mãe levava a cadeira de rodas da menina. "Nossa, ela gostou muito, ficou encantada", relatou Tatiana.
Ao final do workshop, Stanley Jordan atendeu a todos pacientemente e com um largo sorriso. Foram inúmeras fotos e conversas de fãs antigos e novos admiradores conquistados pela simpatia do músico.
Autógrafos no disco e na guitarra
Para o funcionário público João Biassussi, 43 anos, morador de Canoas, o encontro com Stanley Jordan acabou com uma espera de fã que já durava 28 anos. Quando tinha 15 anos, Biassussi comprou o segundo LP de Jordan, "Magic Touch, Blue Note". No domingo, na Casa das Artes Villa Mimosa, ele ganhou um autógrafo não só no disco, mas também na guitarra que levou para ganhar a assinatura do músico. "Sensacional! Fantástico!", disse, empolgado.
No show, Jordan cantou depois de 12 anos
No sábado à noite, no Parque Municipal Getúlio Vargas, o Capão do Corvo, quase três mil pessoas assistiram ao show de Stanley Jordan, gratuito e aberto ao público em geral. Ele apresentou em seu repertório canções como "Insensatez", de Tom Jobim, homenageando a música brasileira, e "Eleanor Rigby", dos Beatles. Mas o que mais chamou a atenção foi que Jordan cantou várias canções, o que não acontecia há 12 anos.
Nas oficinas de musicoterapia que realiza, Jordan canta. Mas isso não se repete nos shows há muito tempo. Porém, no Capão do Corvo, ele se sentiu acolhido por Canoas, o que o levou a soltar a voz.
O Canoas Jazz foi uma realização da Prefeitura de Canoas, através da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). A equipe organizadora apostou na popularização do gênero musical, aprentando o jazz em diversos pontos da cidade.
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