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A oficina Corpos Musicais, ministrada por Jean-Jacques Lemêtre, pesquisador e diretor musical do renomado Théâtre du Soleil, teve início na tarde desta segunda-feira (20), na Casa das Artes Villa Mimosa, e segue até quarta-feira (22). Entre os 40 participantes, selecionados de um total de 125 inscritos, estão músicos, bailarinos e atores. A abertura contou com uma saudação do prefeito Jairo Jorge, que agradeceu a Lemêtre por essa rara oportunidade e por sua segunda visita a Canoas. "É um momento mágico. Que todos possam ter uma excelente oficina", disse o prefeito. O workshop marca, também, as atividades do 5º Festival Internacional de Teatro (FESTIA), organizado pelo grupo TIA, em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura de Canoas.
Jean-Jaques é o diretor musical, o criador e compostor de todas as obras teatrais do Soleil. "Só isso já mostra quem é esse homem que, há 30 anos, está à frente do mais importante grupo de teatro do mundo", reflete o secretário de Cultura, Luciano Alabarse. Ele conta que teve a oportunidade de conhecer a sede do Théâtre du Soleil, em Paris, onde Lemêtre tem um apartamento que não tem nada, a não ser instrumentos. "Por onde ele anda, vai recolhendo instrumentos. É comovente sua dedicação. É um gênio sem nenhum exagero. Tudo pra ele parece som. Lembra muito o Hermeto Pascoal, fisicamente, e com seu jeito de lidar com a música. Qualquer latinha vira um instrumento de gala na mão dele. Para Canoas, é uma chance extraordinária de os grupos de teatro, de dança, os músicos terem contato com um músico, um diretor musical da estatura do Lemêtre, do primeiríssimo time do mundo", afirma Alabarse.
Tudo é música
"A música ocupa todo tempo da minha vida. Todo o tempo porque, mesmo o som de uma cidade é música pra mim. Enquanto falo com alguém, eu ouço o som da cidade, das pessoas que falam em volta, e tudo isso que se sobrepõe é música. Tudo o que a gente ouve no mundo é música, então, tudo é inspirador", declarou Lemêtre, um pouco antes deiniciar o trabalho com os artistas em Canoas. "Estou aqui para plantar grama, acender pequenas chamas e são eles que deverão, mais tarde, mantê-las, alimentá-las. Alimentar com sua energia, paixão, improvisação e a chama não se pode apagar, é preciso cuidar. É preciso que eles tenham muita atenção para tudo o que vai ser feito. Mas são eles que devem ser o sol e a chuva que vai fazer crescer a grama", completou o francês.
A oficina
Com base em suas experiências no Théâtre du Soleil e em suas muitas viagens pelo mundo, Jean-Jacques Lemêtre tornou-se um provocador por excelência. Depois de se apresentar, brevemente, sua primeira lição foi dizer aos participantes que não havia necessidade de inquietação: "Eu sou totalmente Zen, posso responder mil vezes a mesma pergunta".
Lemêtre disse dar muita importância para o que chama de "espacialização do corpo". Os primeiros movimentos foram exercícios corporais pelos quais os participantes puderam alinhar as possibilidades sonoras e musicais do próprio corpo. Entre o bater de mãos nos joelhos, ritmado, todos foram se apresentando.
O artista
Integrante do Théâtre du Soleil desde 1979, Jean-Jacques Lemêtre é conhecido também por criar instrumentos musicais inusitados. Premiado com o cobiçado prêmio Molière, na categoria Música para Teatro, o músico compõe trilhas para cinema e já trabalhou ao lado de diretores como David Lynch. Durante 20 anos, reuniu gravações de vozes em mais de 1.800 línguas e dialetos. Com o registro, compôs um grande poema sinfônico, "Babel", apresentado pela primeira vez no Canadá, em 2012.
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