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A professora Moema Terezinha Pinto Cavalcante é a nova patrona da Feira do Livro de Canoas, que acontece de 13 a 27 de junho. A professora fala da emoção de ter sido escolhida como patrona e de como vê a leitura em tempos de internet.
1 - Agora patrona, como a senhora se vê em meio à Feira do Livro?
Moema: É uma honra muito grande. Meu trabalho sempre foi com alunos e agora chegar e receber este convite, foi uma surpresa muito grande. Não esperava de maneira nenhuma. Numa cidade grande como Canoas é muito difícil receber um destaque. Estou transbordando de felicidade com esse momento em minha carreira.
2 - Como se forma um bom leitor?
Moema: É uma boa pergunta. O leitor vai se formando através do tempo, da vida. E, sem dúvida nenhuma, o contato com o livro é o mais importante. E nesse sentido, o professor é muito importante. Ele dá exemplo, ele escolhe. O professor que é bom vai levar o seu aluno até a leitura.
3 - As feiras literárias também contribuem para a essa formação?
Moema: É muito importante que as escolas levem essas crianças, esses jovens até as feiras. Esse "ver" o livro é necessário. E, hoje em dia, o livro vem com capa bonita, diagramação especial. Atualmente o livro é muito mais vivo do que antes.
4 - O Rio Grande do Sul é tido como o Estado que mais lê no país. A senhora que lidou tantos anos com o ensino da leitura, concorda com essa afirmação?
Moema: Ler mais sempre é bom, mas como nós somos um Estado de um bom poder aquisitivo, a tendência é vender mais o livro. E, naturalmente, as pessoas leem mais. Hoje em dia, nos lugares menos favorecidos, professores levam os seus livros, montam suas bibliotecas e inserem esses jovens, essas crianças no mundo da leitura.
5 - O projeto das bibliopraças em Canoas é um bom exemplo disso?
Moema: Sem dúvida. Um projeto muito interessante, que ganhou as praças e isso é muito importante.
6 - As novas tecnologias estão ai, inclusive modificando hábitos de leitura. A senhora acredita na resistência do livro?
Moema: Sim, piamente. Sempre vai existir o livro. O livro é que vai se alterando com os tempos. Antigamente, pessoas jovens liam, com facilidade, livros espessos, de 300 páginas ou mais. O livro foi diminuindo, se adaptando aos leitores. É obrigatório que isso aconteça, mas o livro vai ficar sempre. Disseram que o livro ia morrer quando começou o cinema, o rádio, assim como a televisão iria "matar" o cinema. Isso são efeitos de uma época. Sempre haverá leitores.
7 - Por falar em tecnologia, estamos ou não diante de uma "nova língua portuguesa" tendo em vista como se dão as conversas nas mais variadas redes sociais?
Moema: Não nascer, mas acho que uma nova língua portuguesa poderá ser aceita e se modificar tanto que não se pareça mais a mesma dos livros mais clássicos. Ela vai se distanciando. Mas isso já aconteceu em 1500, em 1800, quando entrou o Romantismo e quando o período foi de mudança de século, de pensamento. A língua é viva. Antigamente se falava mais "gramaticalmente", o falar clássico era completamente distante da língua do povo. O palavrão, as "palavras erradas", que hoje estão nas redes sociais, tudo isso vai alterando a língua. E cada vez mais rápido. As mudanças que demoravam para acontecer, hoje, precisam de menos espaçamento para se concretizarem.
A 31ª edição da feira reunirá grandes nomes da literatura, como o romancista cubano Leonardo Padura e os brasileiros Ruy Castro, Frei Betto, Heloísa Seixas, Alice Ruiz, Estrela Leminski. Luis Fernando Verissimo será o escritor homenageado desta edição. A literatura local, canoense, também será destaque, com as presenças de Luisa Geisler, Ancila Dani Martins, Gerson Colombo e Délcio Dalke.
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