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O crescimento de Canoas na área cultural, principalmente a partir de 2009, com a criação da Secretaria Municipal de Cultura, da implementação do Plano Municipal do Livro, Leitura e Literatura em 2010 e do Plano Municipal de Cultura criado em 2011 o primeiro do país, se deve, em muito, a projetos consistentes e que, em pouco tempo, ganham o apoio e a participação dos canoenses. Um destes projetos exitosos é o "Mediadores de Leitura", ação que faz parte do Projeto Cidadania e Leitura e é ligado diretamente ao Programa Nacional de Incentivo à Leitura, por meio do Comitê do PROLER/Canoas. Em quase um ano de atuação em Canoas, os mediadores atenderam, pelo menos, dez mil pessoas em suas ações de promoção e de incentivo à leitura com contação de histórias e acessibilidade ao livro, circulando em torno de mil obras literárias.
Um projeto bem estruturado
A proposta de implantação do Projeto Cidadania e Leitura foi firmado entre a Prefeitura Municipal de Canoas e a Fundação Biblioteca Nacional ainda em 2011. Os primeiros passos foram dados na formação de 40 Mediadores de Leitura, mais dez suplentes e ainda dois Formadores de Mediadores de Leitura, com dois suplentes. A capacitação dos formadores aconteceu em maio do ano passado na sede do PROLER nacional, no Rio de Janeiro, e no mês de junho foi feita uma capacitação de 40h para os mediadores, em Canoas. Logo a seguir, se iniciaram as práticas que duraram até novembro do mesmo ano. Para dar legitimidade ao projeto e conquistar o engajamento também da sociedade, entrou em cena os chamados "guarda-chuvas", cerca de 50 entidades parceiras, como a Biblioteca João Palma da Silva/SMC - Sede do PROLER Canoas, Casa do Poeta de Canoas, Biblioteca da Subprefeitura Noroeste/Mathias Velho, Biblioteca Comunitária Cecília Meireles/Ponto de Leitura - Associação dos Moradores Jardim Igara/AMORJI, Associação Campanha dos Bebês/Pontinho de Cultura, Casa da Juventude - Bairro Guajuviras/Território da Paz, Biblioteca Municipal Rui Barbosa/Esteio, Pastoral de Auxílio Comunitário ao Toxicômano/PACTO - Amor Exigente Grupos de Apoio e Prevenção aos Toxicômanos e Familiares, Guajuviras Centro de Artes/Biblioteca Comunitária Antônio Carlos Giacomazzi- Ponto de Leitura e Biblioteca Comunitária Simões Lopes Neto. Essas instituições foram contempladas com kits com itens como livros, carrinhos mochila, fantoches de manipulação, almofadas, tapetes, caixas de lápis de cor e de cera e tiveram atendimentos em pelo menos duas vezes por semana.
"Grande parte dos fracassos na escola são desencadeados pelas dificuldades de leitura, que repercute durante toda a vida. Não entender um texto inviabiliza a entrada no universo da escrita e cria uma ferida na autoestima, gerando defesas e aversões ao estudo que inviabilizam um futuro melhor. O desafio de ler para além da decodificação é a base para que as crianças leiam mais e melhor. Nessa luta para um Brasil melhor, os mediadores de leitura são essenciais para auxiliar aos leitores na compreensão do sentido dos textos, mudando a situação de atraso que ainda vivemos. Por exemplo, conforme o levantamento "Retratos da leitura no Brasil", 85% da população tem apenas um livro em casa, 71% não consegue relacionar, em uma matéria de jornal, o texto com o título, 50% dos livros estão com 10% dos brasileiros e 49% não sabem dizer nome de nenhum autor", comenta Daniel Weller, chefe de gabinete da Secretaria Municipal da Cultura de Canoas.
Bibliopraças foram importantes para o projeto
A reativação do projeto Bibliopraça em Canoas se mostrou como um grande instrumento de atuação para o "Mediadores de Leitura". A Bibliopraça é uma ação que constitui o Programa Municipal de Livro, Leitura e Literatura e possui quatro eixos: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de mediadores, valorização da leitura e comunicação e desenvolvimento da economia do livro. Os cinco bairros contemplados pelo projeto de uma biblioteca permanente em praças se transformaram no palco ideal para a mediação e participação da comunidade. Convocando crianças, adolescentes e adultos, todos que transitavam pelas praças, mediadores proporcionaram um maior contato com os livros e com a leitura. Não foi raro ver crianças que largavam a bola ou até mesmo o skate para ouvir histórias e folhear algumas das obras oferecidas pelas bibliopraças instaladas nos bairros Guajuviras, Niterói, Rio Branco, Mathias Velho e Centro. "Eu defino mediador de leitura como aquele indivíduo que aproxima o leitor do livro, pois tem nas mãos a possibilidade de levar o leitor a infinitas descobertas. A ele cabe o papel de despertar o interesse, o encantamento pela leitura. Em certos casos, vejo o mediador como um comandante que se encontra diante de um pelotão de títulos maravilhosos, mas solenemente enfileirados um a um, em uma prateleira, como que pedindo para serem abertos, para que de dentro de suas páginas saiam histórias capazes de envolver o leitor. Enfim, o mediador de leitura é a "voz" do autor", diz Miriam Kinczel Oliveira, coordenadora do PROLER/Núcleo Canoas.
Entre o formal e o informal
A mediação de leitura vai muito além de simplesmente colocar o livro na mão de uma criança ou adolescente. A esse contato, de extrema importância, é somada uma série de ações de incentivo, de fazer com que aquela história passe a pertencer ao universo de quem lê, de que livros e bibliotecas passem a "ter vida" e não apenas aquele lugar de se fazer silêncio absoluto como se ler fosse um "castigo". Livros trazem histórias e histórias são vidas.
"Nesses últimos dois meses de trabalho, o foco da mediação recaiu de forma prevalente sobre as bibliopraças e os biblioparques, criando um elo entre os Pontos de Leitura, as Bibliotecas Comunitárias, a Escola (e outras Instituições) e o tecido urbano. Esse elo permitiu visualizar a totalidade das relações que o campo da mediação movimenta, configurando uma rede que conecta espaço público e espaço privado, família e comunidade, comunidade e escola, bairro e cidade, periferia e centro. A partir dessa rede, o mediador pode transitar entre a formalidade da Biblioteca tradicional e a informalidade da biblioteca em um espaço público", diz Marília Fichtner Papaleo, psicóloga, doutora em Letras e formadora de Mediador de Leitura.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234