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Laura e Luciana Sandroni, mãe e filha, são duas especialistas em dois grandes nomes das letras nacionais: Monteiro Lobato e Mário de Andrade respectivamente. As duas passaram pela 31ª Feira do Livro de Canoas para contar suas histórias, falar de suas obras e, justamente, das influências desses dois autores na nossa literatura.
A carioca Luciana Sandroni se juntou a professora Márcia Duarte, da Unisinos, para debater a influência de Mário de Andrade na literatura brasileira. O encontro foi na noite de segunda-feira (15), no Auditório Luis Fernando Verissimo, completamente lotado de alunos do Ensino Fundamental de Canoas. Mário foi um dos grandes expoentes do chamado modernismo brasileiro, catapultado pela Semana de Arte Moderna de 1922 e, neste ano, lembramos os 70 anos de sua morte, ocorrida em 25 de fevereiro de 1945.
Para os alunos, Luciana discorreu um pouco sobre a vida e os momentos mais importantes, sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, onde ele lança algumas poesias e sobre um segundo momento, quando ele passa a se dedicar à cultura popular. Em "O Mário que não é de Andrade", seu recente trabalho, faz a ponte entre a vida do escritor e o universo infantil, para o qual Mário nunca escreveu.
"Mário ficou muito marcado pelo modernismo de 22, mas o principal legado dele foi como pensador, como intelectual. Ele queria uma unificação, uma identidade nacional que era procurada através da cultura oral, das danças, da música e do folclore", diz Luciana que vê em nomes como Ariano Suassuna e Antônio Nóbrega a centelha da busca por essa identidade plantada por Mário de Andrade. "Para o Brasil ser Brasil, ele precisa de uma identidade", completou a escritora. Mario de Andrade não escreveu para a criança, mas foi um grande pesquisador na área musical. Ele queria preservar a música de todo o Brasil, a cultura popular. Lobato e Andrade foram os primeiros grandes pesquisadores da cultura popular.
Na manhã de terça (16), Luciana voltou a falar sobre Mário, desta vez para crianças. O acento desta vez foi em suas memórias e de como se tornou escritora a partir da leitura, justamente, de Monteiro Lobato. "Lobato era muito critico em relação ao homem numa época em que não se criticava muito. E pensei: quero escrever sobre o homem, mas com a fantasia de Lobato. Vou fazer um livro parecido com o sítio mas tendo o Rio de Janeiro como cenário, com a praia, sol e a Baía de Guanabara. Assim nasceu o "Ludi vai a Praia", meu primeiro livro", comento Luciana.
Lobato por Laura
A jornalista e escritora Laura Sandroni, na manhã desta terça-feira (16), discorreu sobre a vida e obra de Monteiro Lobato, da infância no interior paulista, a relação de admiração com o pai e os livros da biblioteca do avô, até a sua decisão de se transformar em escritor. Lobato queria ser artista, desenhista, qualquer coisa assim. Mas o avô, que assumiu a família após a morte de seus pais, queria que ele fosse advogado. Foi durante o curso que seu sonho de uma sociedade mais igualitária e, claro, o de ser escritor, mais se acentuou. Chegou a fundar um jornal, O Minarete", onde publicava seus escritos, mas com o intuito político, já que se candidatou à prefeitura da cidade de Pindamonhangaba. "Lobato foi um dos mais combativos intelectuais de sua época", disse Laura. "Lobato foi o primeiro autor de uma obra de ficção para as crianças. E foi muito mais, contribuiu para mudança na linguagem, na temática, misturando desde mitologia até astros de cinema", lembrou Laura.
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