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Daniel Soares / Secom
Heloisa Seixas e Ruy Castro participaram da Feira do Livro de Canoas nesta terça-feira (16).
Ouvir histórias também faz parte do universo do livros. É a partir delas que eles nascem e é a partir delas que se renovam essas histórias. A noite de terça-feira (16) foi para ouvir grandes histórias com Heloisa Seixas e Ruy Castro, casal de escritores de renome nacional. Depois de uma conversa bem informal, Ruy e Heloisa foram as grandes atrações do palco do Auditório Luis Fernando Verissimo. Com mediação da jornalista Claudia Laitano, o casal se aprofundou na recente obra de Heloisa, o livro "O Oitavo Selo" em que, justamente, o marido é o personagem principal. Eles falaram também sobre seus projetos e muitas histórias.
O livro é tratado como um quase romance pela autora. "É uma mistura de realidade e fantasia. A realidade está na minha convivência com o Ruy, que mesmo antes de eu conhecer já tinha confrontos com a morte, envolvendo doenças, drogas e alcoolismo. Eu convivi com algumas dessas coisas. E um ponto que me chamava a atenção era como ele reagia a essas coisas. Como se ele não poderia se dar o luxo de morrer porque sempre tinha um livro para acabar. Tudo isso era a salvação dele", comentou Heloisa já em sua primeira fala.
Tratando de um assunto tão íntimo e nada simples, como se defrontar com a morte em vários momentos, Heloisa disse que, mesmo assim, conseguiu imprimir um pouco de luminosidade no livro. "A morte da irmã do Ruy (tratada no primeiro selo), consolidou essa figa através da beleza, dos filmes, da música e da escrita", resumiu a autora que também disse que o humor teve um papel muito importante nesse processo. O livro, mesmo se tratando de um fragmento biográfico, abre espaço para a ficção. Ele é cortado por entrevistas da própria autora e do personagem. "Eu fiz algumas entrevistas, mas tem algumas coisas ali que o Ruy não falou", concluiu.
Autocrítica
Olhando para o escritor Ruy Castro, sua voz um pouco rouca mas marcante, é muito difícil imaginar que tenha passado por metade do que é tratado no livro. Não há ali um pingo de sequelas (pelo menos visíveis), de uma vida de excessos e confrontos com a morte (todos os sete selos). "A palavra é uma metáfora para a razão. O entendimento do mundo pela razão, que se manifesta estando diante da morte. Eu fiz jus a cada mazela que enfrentei na vida", disse Ruy com o humor que lhe é peculiar. "Todos vamos enfrentar o oitavo selo", emendou Heloísa.
A bossa e as biografias
Mesmo com o foco no livro de Heloisa, não se perdeu a oportunidade da presença de Ruy Castro para falar de dois assuntos: o surgimento da Bossa Nova, no qual ele trata no livro "Chega de Saudade" e que viu nascer, e a questão das biografias, que ganhou recente decisão favorável no Superior Tribunal Federal a total liberdade de expressão dos escritores. "Meu pai gostava de cantores de voz empostada, máscula. Minha mãe já gostava dos mais suaves. E eu ouvia de tudo. Eu ouvia tudo. Quando apareceu a Bossa Nova, em 1959, no rádio, com João Gilberto, aquilo me pareceu muito familiar porque já tinha ouvido Dick Farney, Lúcio Alves e como gostava de jazz, foi muito fácil assimilar", disse Ruy que ainda brincou: "O grau de intelectualidade de um jovem de 12 anos naquela época era incrível. Meus colegas eram divididos por facção política".
Ruy também criticou biografados e famílias que ainda impedem a publicação de livros, como os casos ocorridos com Roberto Carlos e Wilson Simonal, por exemplo. "Só temos de dar satisfação à verdade. Espero que acabe a indústria dos herdeiros. "O biógrafo não tem direito de inventar nada. Se é pra inventar então faz um romance", concluiu. Sobre novos trabalhos, Ruy, que se diz um fanático pela busca de informações que estavam perdidas, está finalizando um livro sobre o samba-canção, que ele chama de "tesouro musical abandonado". "Será o avesso de ‘Chega de Saudade', finalizou.
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