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Uma das atrações da 31ª Feira do Livro de Canoas, nos dias 18 e 19, foi a presença da escritora, cantora, produtora cultural e multifacetada Estrela Leminski, que não carrega o sobrenome por acaso: é filha do poeta Paulo Leminski (1944-1989) com a também escritora Alice Ruiz. As duas se juntaram na noite desta sexta-feira (19) ao marido de Estrela, o músico Téo Ruiz e ao flautista e compositor Bernardo Bravo para um encontro de poesia e muita música.
Um dia antes, Estrela, Téo e Bernardo participaram de um bate-papo cheio de bom humor com o jornalista Roger Lerina, no Estande da RBS. Estrela começou falando de sua forte ligação com o Sul do país e de como se sente bem por aqui. "Eu moraria tranquilamente em Canoas" foi sua primeira frase quando chegava à Feira do Livro. "Sou praticamente uma gaúcha honorária porque entre as bandas que gosto estão Graforreia Xilarmônica, Wander Wildner, Júpiter Maçã e Vitor Ramil", disse em meio a um pedido de um chimarrão para se esquentar. Com sua fala rápida, humor ácido e jeitão de menina, mesmo aos 34 anos e dois filhos, Estrela se agiganta quando fala do que realmente sabe fazer: música e poesia.
O começo
"Eu despertei para a poesia depois de ouvir Ricardo Silvestrin", disse Estrela que, desde muito pequena ganhava concursos de haicai e que passou a esconder seus poemas, até da própria mãe de quem foi aluna numa oficina realizada em Porto Alegre na Casa de Cultura Mario Quintana. "Essa convivência diária, vendo meus pais produzirem, fez com que o barulho da máquina de escrever fosse uma espécie de alarme para não incomodar", brincou Estrela que disse que hoje em dia não tem mais a angústia dessa presença, dessa carga se ser filha de quem é. "Fiz as pazes com toda a crítica porque aprendi muito com elas".
Estrela não esconde a influência dos pais em seu trabalho, mas sabe que tem muito mais a oferecer com sua própria marca, principalmente com a parceria de vida e trabalho com Téo Ruiz, um compositor que gosta de trabalhar de forma coletiva. O universo sonoro daqueles finais dos anos 80, da vanguarda paulista, o pós-punk, tudo isso fazia parte da "cena" musical que Leminski consumia. Estrela lembrou uma interessante frase do pai: "Eu tive que virar músico para fazer a poesia que eu faço". Com Estrela também foi um pouco assim já que a cantora descobriu que, na música, a liberdade criativa se acentua, fica sem amarras, a palavra flui porque dialoga com o ritmo. "Comecei a prestar mais atenção nas letras, na canção. Essa junção da música e palavra", comentou entre uma canção e outra que foi mostrada ao público presente no Estande da RBS.
Téo e Estrela também falaram sobre o que estão ouvindo e lendo hoje em dia. "O álbum Tambong do Vitor Ramil mudou minha vida", disse de pronto Téo Ruiz. Estrela disse que lê muito Ricardo Silvestrin, Mia Couto e a pelotense Angélica Freitas. Na música, se derrete por Jorge Drexler.
Sem parar de trabalhar
Estrela e o marido Téo também falaram de seus projetos musicais, em especial do que vem por aí. Em 2013 eles lançaram o CD/DVD "São Sons - Ao Vivo", registro de um projeto multimídia na qual projeções complementam as canções inéditas, parcerias com nomes como Anelis Assumpção, Kleber Albuquerque, Renato Villaça e Fabio Navarro. No ano passado, lançaram o álbum duplo "Leminskanções", onde revisitam a obra de Paulo Leminski montando um grupo chamado Estreliski & Os Paulera. Um dos discos traz composições inéditas de Leminski e, o outro, canções em parceria e participação de nomes como Arnaldo Antunes, Ná Ozzetti, Bernardo Bravo e Zeca Baleiro. O álbum pode ser baixado no www.leminski.com.br. Este ano, Estrela lançou um documento ímpar na história da música brasileira: o songbook de Paulo Leminski com 109 canções, farto material fotográfico e reproduções de textos originais. "Daqui a 15 dias ainda vamos entrar em estúdio para gravar o novo trabalho. Será algo mais dançante, tipo pós-Bjork caribenho. Queremos juntar o Sul e o Norte, mas sem passar pelo Sudeste", brincou Estrela
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