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Paula Vinhas
O escritor angolano Gonçalo Tavares no Auditório Marta Medeiros, no Centro de Canoas.
A programação da 32ª Feira do Livro de Canoas recebeu, na noite da última segunda-feira (4), aquele que hoje é considerado como o mais importante escritor em língua portuguesa, o angolano Gonçalo M. Tavares.
Com o Auditório Martha Medeiros lotado, e sob mediação do escritor e amigo Reginaldo Pujol Filho, Gonçalo Tavares falou de sua escrita pouco convencional e, principalmente, da sua diversidade de propostas como autor.
Provocado por Pujol, Gonçalo falou mais sobre o livro "Animalescos", o qual elogiou a edição brasileira, a cargo da Editora Dublinense. A obra é instigante tanto como o tema que se propõe - as relações entre homem, animal e máquina, brutalidade e instinto - como em sua apresentação gramatical, quase sem pontuação. "O filósofo Roland Barthes dizia que a língua, do ponto de vista da gramática, é fascista. Ela limita o autor. É muito difícil pensar em algumas coisas com a gramática que nós temos", comentou o escritor português. Assim, "Animalescos" também traz um novo elemento: a quarta pessoa do singular que, na obra, se materializa como a voz dos seres animalescos.
Gonçalo vai mais fundo na filosofia e antropologia: "Os animais não apenas escrevem, com traços, mas também são bons leitores. Um animal bom leitor é aquele que identifica a pegada de um outro animal que pode ser comida ou um predador. Nós humanos somos herdeiros dos animais bom leitores. Ser leitor é ver traço, é interpretar", completa.
O próprio autor chega a afirmar que vê os livros como animais. E levanta alguns de seus títulos: "Esse é mais como um cordeiro, e este é mais como uma girafa. Nada tem a ver como ser melhor ou não, apenas diferentes. Eu escrevo livros muito diferentes", diz Gonçalo.
Reginaldo Pujol questiona Gonçalo sobre o seu percurso de errância. "O erro tem um duplo sentido: o errar de não fazer bem, e a errância, o avançar sem saber o destino", completa. O escritor entra em mais um exemplo para explicar sua escrita. "O andar na cidade é quase como escrever. Quando saímos de casa sem destino, e se estivermos errantes, havemos de descobrir outras coisas. E assim é na escrita, ficamos muito mais disponíveis, atentos para as coisas insólitas. Uma das maiores belezas da linguagem é não perceber alguma coisa. O que não percebemos é o que dá resistência ao texto", completou o premiado escritor.
Quarta-feira com superação e humor
Nesta quarta-feira (6), a 32ª Feira do Livro de Canoas receberá mais dois grandes nomes. Às 19h, no Auditório Martha Medeiros, a Feira recebe Olivia Byington. Conhecida por sua trajetória musical, Olivia está lançando o livro "O que é que ele tem", e que descreve uma trajetória não só de luta, mas principalmente de um amor incondicional de uma mãe por um filho. No caso, a história de seu primogênito, João, que nasceu com a raríssima Síndrome de Apert, que lhe impôs passar por diversas cirurgias. Na sequência tem Gregório Duvivier, filho mais novo de Olívia e muito conhecido por pertencer a trupe do Porta dos Fundos e por sua atuação em vários filmes.
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