Carregando! Por favor aguarde...
A noite da última sexta-feira (8) encerrou a programação de encontro com escritores durante a 32ª Feira do Livro de Canoas. No palco do Auditório Martha Medeiros, com mediação do professor Daniel Weller e do jornalista Luiz Gonzaga Lopes, estavam Cláudia Tajes, Luis Augusto Fischer e o casal Diana e Mário Corso.
Literatura em tempos de internet, forma de escrita e inspiração foram alguns dos temas abordados no encontro. A primeira questão levantada na mesa foi a de como continuar escrevendo num país em que tudo está mudando com grande rapidez. “Nós temos uma responsabilidade muito grande. Cada vez mais tendo a escrever num estilo “chicobuarqueano”, ou seja, do “afasta de mim esse cálice”. Meu objetivo é fazer com que a pessoa leia o texto até o fim e assim ela se descubra. É um jogo de gato e rato com o leitor”, disse a psicanalista Diana Corso. A escritora afirmou que estamos vivendo uma retomada da censura de forma internalizada nas pessoas.
Já Mário Corso disse que não se sente desconfortável em escrever atualmente. “Eu cresci numa percepção de Brasil na ditadura, eu conheci o país em sua face mais escura e sempre achei que aquilo poderia voltar. É como se fossem os ecos de um passado. É um momento muito instigante para escrever, um momento rico para entender o Brasil”, completou.
Sobre suas formas de escrita, cada um mostrou que tem uma personalidade própria para chegar ao texto final, em crônicas, contos ou ensaios.
O professor Luis Augusto Fischer gosta se colocar como o leitor de seus textos. “Eu quero ler com um cara que eu possa negociar. E o que mais me pega é a primeira frase”, disse. Mário Corso citou o argentino Jorge Luis Borges ao dizer que os assuntos já existem e apenas estão esperando as pessoas que escrevam sobre eles. “Uso gavetas de carvalho para envelhecer os textos. Escrevo mais do que publico”, completou.
Mas todos são unânimes em afirmar a diferença que faz o acesso aos livros, de ter livros em casa, na escola, na família e ter como hábito esse contato. “A porta de entrada para a leitura são as mais variadas”, disse Fischer.
Novos projetos
Antes dos autógrafos, o quarteto literário falou de seus novos projetos. Fischer está prestes a lançar uma reedição da sátira política de “Antonio Chimango”, uma provocação de Ramiro Barcelos ao então presidente da Província, Borges de Medeiros; Cláudia Tajes está escrevendo um livro novo, infanto-juvenil, para ser transformado em filme, além do roteiro de alguns programas de TV. Luis Augusto Fischer tem um projeto que inclui a obra de Guimarães Rosa, mas ainda sem revelar os detalhes. Diana e Mário, que escrevem livros juntos, estão terminando um obra sobre a adolescência.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234