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A noite do último sábado (9) ficará marcada, por muito tempo, na história cultura da cidade de Canoas. Maria Bethânia, a “abelha rainha”, botou seus pés no palco do Teatro do Sesc/Canoas para apresentar um espetáculo único e intenso, o seu “Caderno de Poesias”, que integrava a programação da 32ª Feira do Livro de Canoas.
Com seus longos cabelos grisalhos, as habituais pulseiras, os pés descalços como sempre o fez, Bethânia começa com os primeiros acordes do espetáculo e logo para. Surpresa geral. Delicadamente ela se desculpa e diz que vai começar novamente: tinha esquecido de colocar os fones de ouvido de retorno. Volta em instantes para, aí sim, propor um mergulho na palavra escrita e na palavra falada.
Entre um botar e tirar dos óculos, com mãos e braços rasgando o vazio e um eventual arrumar de cabelos, Maria Bethânia entregou a força das palavras de seu mestre Fernando Pessoa que “poemava” como poucos em seu heterônimos como em “O Livro do Desassossego” e em “Mestre, Meu Querido Mestre”; a aridez de Guimarães Rosa; a ironia de Carlos Drummond de Andrade; a brasilidade de um Manuel Bandeira; a “Pátria Minha” de Vinícius de Moraes; e o brincar de palavras do irmão Caetano Veloso em “Língua”.
Poesia e textos diversos foram costurados com canções como “O Trenzinho do Caipira”, música de Heitor Villa-Lobos e letra de Ferreira Gular; “Romaria”, de Renato Teixeira”, reisados como “Calix Bento”; e a delicadeza brejeira de “Meu Primeiro Amor”, acompanhada por dois extraordinários músicos, o percussionista Carlos César, e o violonista Paulo Dafilin. Bethânia exaltou seus primeiros mestres, aqueles da escola mesmo, quando estudava ainda ao lado de Caetano Veloso, recitando um poema de seu professor de Português, que fazia questão de trazer a poesia para a sala de aula. “A escola pública tem jeito sim”, disse Bethânia antes de ser efusivamente aplaudida. Assim como também exaltou os poetas populares, representados por nomes como Patativa do Assaré.
Conhecida por exigir não menos que a perfeição em suas apresentações, Bethânia quebrou seu próprio protocolo ao deixar o microfone no chão após a último poema recitado: voltou para cantar não uma, mas duas canções. A primeira, pediu licença para entoar, de Chico César, “Estado de Poesia”, que disse ser uma das canções mais lindas que conhece. Depois, como despedida, o teatro dançou no balanço de “Reconvexo”.
Ansiedade 24 horas antes
Os primeiros da fila para entrar no recital de Maria Bethânia eram de países diferentes, mas dividiam a ansiedade há pelo menos, 24 horas, desde que pegaram os ingressos, que foram distribuídos na sexta-feira (8). A uruguaia Poli Hernandez, natural da província de Maldonado, estava praticamente “seguindo” a cantora. “Estive há poucos dias em Pelotas, no Teatro Guarany, para assisti-la e quando soube que estaria aqui também, vim correndo”, disse entusiasmada. Para o gaúcho Marcelo Oliveira, ver Maria Bethânia é sempre um presente. “E este está sendo sim um grande presente, estou de aniversário neste domingo (10) e não poderia ser melhor o meu presente”.
O recital também teve transmissão simultânea para o Auditório Martha Medeiros, montado na Praça da Bandeira durante a 32ª Feira do Livro de Canoas.
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