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Ireno Jardim Mtr:5963
Delfeayo convidou suíço Olivier Forel para subir ao palco com o quinteto para o momento mais divertido da noite
Sexta edição do festival foi realizada no último domingo (27) em Canoas
A sexta edição do Canoas Jazz, realizada na noite do domingo (27), consagrou a vocação da cidade para receber shows de alto nível. O Salão de Atos do Centro Universitário La Salle (Unilasalle) ficou praticamente lotado para ouvir dois grandes nomes do jazz da atualidade: primeiro, o acordeonista suíço Olivier Forel e, logo depois, o quinteto do trombonista norte-americano Delfeayo Marsalis.
O prefeito municipal Jairo Jorge e o secretário municipal da Cultura Luciano Alabarse deram as boas-vindas ao público e ambos destacaram a importância de que, mesmo diante de uma crise, dar continuidade aos investimentos em todas as áreas, inclusive na Cultura, buscando as parcerias necessárias e apostando na oferta de atrações de qualidade.
Musicalidade inquestionável
Logo em seguida, o suíço Olivier Forel, acompanhado apenas de seu instrumento, encantou a plateia com sua versatilidade apresentando um trabalho completamente autoral. Influenciado pela música do Prata, após recente passagem por Buenos Aires, e um confesso apaixonado pelo Brasil, Forel carrega a música do mundo em seu deleto instrumento, um acordeom Beltuna, que dialoga com a tradição das concertinas das ruas francesas, com a porção cigana do leste europeu, com o tango, valsas e até com o reggae. Foi assim em temas como "Boca a Boca", "Hermana Magra", "El Galpón" e "Cinque". Simpático, dirigiu-se ao público diversas vezes (se desculpando pelo portuñol) para falar de suas composições e para agradecer a oportunidade de se apresentar num festival tão importante, sendo aplaudido de pé ao final do show.
New Orleans é aqui
Logo após um breve intervalo, o quinteto de Delfeayo Marsalis subiu ao palco para trazer a Canoas o espírito de New Orleans, cidade berço do jazz. Delfeyao e seu grupo são a prova da permanência do jazz como a grande música feita no mundo a partir do século XX e que continua irretocável em sua importância.
Delfeyao trouxe boa parte do repertório de seu recente álbum, "The Last Southern Gentlemen", gravado ao lado do pai, o pianista Ellis Marsalis. Sempre sorridente, como aliás a banda toda, Delfeayo convidou o público para o balanço do jazz e do swing no clássico "Autumm Leaves" e na versão ritmada de "Speak Low", música de Kurt Weil e que ficou mundialmente conhecida na voz de Billie Holiday. Ao mesmo tempo, silenciou o público nas baladas como em "My Romance". Generoso com sua banda, por diversas vezes abriu espaço para os solos precisos Marvin "Smitty" Smith na bateria; para o baixista David Pulphus, o pianista Kyle Roussel e para o virtuose saxofonista Khari Lee.
A generosidade de Delfeayo e grupo vai além do que apresenta no palco. No sábado, a banda foi conhecer o trabalho da Oficina de Choro e Samba que é realizada no Santander Cultural em Porto Alegre. De lá, saiu o convite para o violonista Mathias Pinto e o bandolinista Elias Barboza dividissem o palco do Canoas Jazz com Delfeayo. O tema escolhido foi "Corcovado", um brazilian jazz que deixou New Orleans em verde-amarelo. Os dois músicos porto-alegrenses ainda tocaram "But Beatiful", tema que está no recente disco de Delfeayo.
O suíço Olivier Forel também subiu ao palco com o quinteto para o momento mais divertido da noite. Com Delfeayo e Khari, desceram do palco para invadir os corredores do Salão de Atos ganhando, em definitivamente, a plateia que não parava de aplaudir e repetindo uma tradição do jazz de New Orleans, de arrastar a música e o público, tanto em celebrações como em funerais. E a tal generosidade continuou após o show, com o grupo todo recebendo o público para muitas selfies (algumas feitas pelo próprio Delfeayo).
O legado do Canoas Jazz ganhou mais um importante capítulo e em grande estilo.
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