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"Não há nada mais perverso que um moralista". Essa afirmação, realizada pelo escritor Martin Koan durante sua fala em Canoas na manhã desta quinta-feira, 16, resume um pouco do espírito de sua obra "Ciências Morais.
Esse romance, ambientado em uma escola Argentina, faz uma metáfora daquele País nos tempos da repressão, salientando a forma como a moral tem papel central em um regime de restrição de liberdades. Para isso, o escritor, cria a personagem Maria Tereza, uma estudante alienada, inconsciente sobre a realidade política que o cerca. "Pela disciplina e o controle, se pode chegar à perversidade. Essa nasce não nasce contra a moral, nasce do moralismo. Daí porque a obra se chama Ciências Morais", explica o autor.
Para o escritor e secretário estadual adjunto de Cultura, Jéferson Assumção, a presença de Kohan valoriza a feira e influencia a formação de leitores. "É um escritor reconhecido no Brasil e no mundo. Sua intervenção aponta que a experiência estética é formal, mas não é vazia na sua relação com o mundo. Sua presença na feira tende a despertar o interesse pela leitura", avalia. Na platéia, cerca de 60 alunos do terceiro ano da Escola Estadual de Ensino Médio Guarani (E.E.E.M). "Desenvolvemos um trabalho em aula com sua obra, e o encontro é parte desse processo", explica a professora de literatura Tatiane Aragão.
Quem é Martin Kohan?
O argentino Martín Kohan, 43, é crítico literário e professor universitário de teoria literária. Escreveu, entre contos, ensaios e romances, 12 livros e, com um deles, "Ciências Morais" (Cia. das Letras, 2007) é o mais recente ganhador do prêmio Herralde, na Espanha, que já contemplou Javier García Sánchez e Antonio Soler. Sua principal característica é o enfoque social, em particular a Argentina pós-ditadura partindo de temas comuns, como o dia-a-dia ou a Copa de 1978 na Argentina.
Sobre a obra "Ciências Morais"
Meros vinte anos, pouco estudo e ainda menos experiência, María Teresa parece talhada para o emprego: como inspetora do tradicionalíssimo Colégio Nacional de Buenos Aires, fundado e freqüentado pelos próceres da nação argentina, basta-lhe rezar pela cartilha do regulamento interno, feito de proibições e repetições, distâncias e medidas. Num universo em que tudo é proibido e, por conseguinte, tudo é transgressão, María Teresa cai aos poucos numa espiral vertiginosa, feita de suspeita, vigilância, controle, mas também de curiosidade, perversão e prazer. Nesse trajeto e nesse colégio que é um microcosmo do país, María Teresa viverá - e viverá na própria carne - as vicissitudes e as tribulações da Argentina no ano de 1982, em que a ditadura militar aposta suas últimas fichas na invasão das ilhas Malvinas.
Nesse momento, ainda no "Encontro com o escritor", no auditórioi Moacyr Scliar, está falando o escritor Sergio Napp, sobre o seu livro A pedra do conhecimento (Editora Paulinas), parte de uma triologia, cujo segundo livro deve ser lançado neste ano. Alunos e professores de educação infantil lotam o auditório, muitos ansiosos por fazer peguntas ao escritor. Na Usina de quadrinhos, prossegue as oficinas com ilustradores Maumau e Azeitona. No Espaço Sesc, com o Boneco Juca, ocorre a apresentação "O Casamento de Dona Baratinha".
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