Carregando! Por favor aguarde...
Escritora, educadora, bailarina, coreógrafa e contadora de histórias, Kiusam de Oliveira esteve presente na Feira do Livro de Canoas para falar sobre as relações étnico-raciais da cultura afro brasileira. A paulista, autora dos livros "O mar que banha a Ilha de Goré", "Oma-Oba - Histórias de princesas" e "O mundo no Black Power de Tayó", contou um pouco mais da sua trajetória. Sua obra possui temáticas atuais que conseguem conduzir amplos debates sobre racismo na sociedade.
A sua motivação para escrever sobre o tema vem ainda da infância. Durante a conversa, Kiusam relembrou os insultos que sofreu quando criança e que a fizeram ingressar nessa luta. "Descobri o racismo aos 6 anos de idade. Tive professores que me humilharam na infância, situações que determinaram a minha vida. Ser negro nesse país é algo muito difícil. De acordo com o Censo, o Brasil possui maioria negra, mas isso ainda é escondido da população", revela a autora.
Na oportunidade, Kiusam contou a história da personagem do livro "O mundo no Black Power de Tayó", menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power. Uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe quando dizem que o seu cabelo é ruim. "Mesmo com todos os insultos, Tayó se enche de coragem e diz: mas como pode ser ruim um cabelo fofo, lindo e cheiroso? Vocês estão com dor de cotovelo porque não podem carregar o mundo nos cabelos", interpreta Kiusam. O cabelo crespo de Tayó é uma bela metáfora da riqueza cultural do povo negro. A obra está incluída na lista "13 livros infantis para ensinar às crianças a importância dos direitos humanos", criada pelo jornal Brasil Post.
Ao fim da conversa, a autora foi questionada sobre o futuro do racismo no país. Animada, ela motivou todos os presentes com a sua resposta. "O racismo foi criado para justificar a escravidão. Se ele teve data para ser construído, também terá o dia em que será desconstruído", ressalta Kiusam.
Teatro ressalta o valor das memórias
Os alunos do 9° ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Palma da Silva levaram até a Feira do Livro uma apresentação teatral carregada de emoções e reflexões. A peça "Caixa de Memórias" é resultado de um trabalho proposto pelo professor de artes, William Molina. "Cada aluno da turma tinha que levar um objeto para compor a Caixa de Memórias, coisas que estão relacionadas às lembranças deles. A partir daí, montamos o roteiro da apresentação", explica o professor.
Baseados em pensamentos sobre o fim da vida, saudade e outros conflitos cotidianos, os diálogos dos jovens atores deixaram alguns questionamentos em aberto, com o objetivo de provocar a reflexão dos presentes. "Todos nós possuímos uma Caixa de Memórias, sejam elas boas ou ruins. Aqui neste espetáculo estão representadas memórias reais, momentos que formam o que somos hoje", finaliza William.
Feira segue até sábado
A 33ª Feira do Livro de Canoas segue até o próximo sábado (8) na Praça da Bandeira. A programação é totalmente gratuita.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234