Agentes ambientais percorreram 22 km da bacia, onde não foi constatada contaminação.
A maior tragédia ambiental dos últimos 40 anos, ocorrida no último fim de semana, e que resultou na morte de cerca de 1 milhão de peixes no Rio dos Sinos, em Portão, fez com que a Secretaria Municipal de Preservação Ambiental (Sempa) monitorasse, na manhã desta terça-feira (10/10), cerca de 12 km do Rio dos Sinos que margeia o município de Canoas. O barco da ONG Associação de Pesquisa e Técnicas Ambientais (Apta) partiu do Rio Gravataí, percorreu o Arroio das Garças e a praia do Paquetá, até chegar na divisa entre os municípios de Canoas e Nova Santa Rita, totalizando 22 km. Durante o monitoramento, agentes ambientais da Sempa não constataram nenhuma repercussão do desastre ambiental. Em pequenos trechos, o Rio dos Sinos - próximo da divisa - apresentava bolhas na água, o que representaria sinais de falta de oxigênio, podendo ser decorrente de esgoto cloacal.
O diretor de Licenciamento e Fiscalização Ambiental da Sempa, Marco Aurélio Rosa, acredita o que aconteceu foi um descuido de alguma empresa, causando uma tragédia. Marco está convicto que isto tenha sido um incidente, já que as secretarias ambientais dos municípios banhados pelo Rio dos Sinos, realizam um trabalho de conscientização junto às empresas e moradores próximos ao rio. "Em Canoas, a Sempa fiscaliza todas as empresas que margeiam o Delta do Jacuí, sendo rigorosa ao emitir licenças ambientais", ressalta. O presidente da Apta, Clóvis Braga, lamenta o ocorrido justamente na Semana Interamericana e Estadual da Água, onde acontecem muitas ações de prevenção e conscientização. Ele acrescenta que este tipo de catástrofe trará conseqüências futuras. "O acidente está só começando. Serão anos até recuperar os peixes e toda a fauna e flora", comenta.
O Rio dos Sinos é responsável pelo fornecimento de água para 1,3 milhão de habitantes de 32 cidades, sendo que em Canoas a captação e abastecimento não foram prejudicados. A área do curso do rio que foi afetada é de cerca de 15 quilômetros. O diretor Marco explica que o município não foi afetado, por estar bastante distante do acidente. "O produto químico jogado no rio, diluiria até chegar próximo a Canoas. Nossas águas estão fora de perigo", conclui.