Fortalecer uma rede de trabalho social é, de acordo com o Grupo de Trabalho dos 11 municípios integrantes da Jornada de Sensibilização de Multiplicadores para o Combate ao Uso de Drogas, a principal saída para a epidemia de crack e para o vício de drogas em geral. Nesta terça, 20, foi a vez de Canoas receber o ciclo de discussões que vem ocorrendo nos municípios da Região Metropolitana, que fazem parte da Granpal.
Com o sloogan 'Vida Agora', os debatedores utilizaram palavras chave para indicar os caminhos para que essa rede possa ser efetivamente criada: construir, acreditar, acolher, cooperar e tolerar são para eles, verbos que precisam ser colocados em prática. Ter disponibilidade e generosidade é, de acordo com o grupo um pré-requisito para poder exercer trabalhos nesse sentido. "Para atuar junto a quem sofre com esses problemas não se pode exigir retorno imediato", declara a psicóloga Rosane Kern, que é responsável pela Unidade de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Canoas.
O presidente da Granpal, Daisson Maciel, que também é prefeito de Santo Antônio da Patrulha, falou sobre a importância de se colocar no lugar das famílias, tanto para prevenir como para tratar e reinserir jovens que estão vulneráveis ao uso das drogas. "Como gestores temos que ser que nem os pais e mães, tendo um olhar protetor e constante à comunidade. Mesmo quando temos muitas outras ocupações não podemos nos descuidar e possibilitar que as influências negativas ocupem o papel dos responsáveis pelos nossos adolescentes", declara.
A prefeita em exercício de Canoas e secretária de Saúde, Beth Colombo lembrou seus tempos de professora e lamentou: "Quando atuava como educadora nossas preocupações com os alunos eram se eles chegariam à escola alimentados e agasalhados. Nunca passou pela nossa cabeça que chegaria o dia em que temeríamos a presença de traficantes na porta dos colégios", conta.
Mariela Carneiro