Duas semanas. Este foi o exato tempo que a égua Rosília ficou fora do canil municipal, depois de um longo tratamento de 60 dias para ganhar peso e se recuperar dos maus tratos do antigo dono. No dia 24 de novembro, ela foi doada a um carroceiro, que se comprometeu a cuidar do animal, o que não ocorreu. Rosília foi presa de imediato a uma carroça com sobrecarga de entulhos, o que deixou o animal fraco e sem conseguir caminhar em via pública. Na última sexta-feira, a presidente da Associação Protetora dos Animais de Canoas, Eliane Tavares, tomou conhecimento do caso e foi até a Rua Araçá para falar com o dono. Segundo ela, a hostilidade do proprietário a surpreendeu. "Ele disse que a égua não servia para nada e soltou o animal ali mesmo, em via pública. No entanto, quando ela viu a grama em um terreno próximo, saiu em disparada de tanta fome". Hoje, ela foi visitar a égua e ficou satisfeita com o tratamento adotado. "Fico mais tranquila assim".
Rosília está em um espaço separado dos demais animais e recebe tratamento desde a manhã desta segunda-feira, quando foi recolhida. De acordo com o veterinário responsável pelo canil, Dr. Jean Maillard, ela chegou muito magra e apresentava marcas dos relhos. "É um animal de porte médio e não deve ser usado para puxar uma carroça tão pesada. Por isso ela não saiu do lugar com o carroceiro, de tão cansada". Ele explica que o equino, que tem aproximadamente quatro anos, foi doado sob custódia e por isso recolhido assim que foram constatados os maus tratos. "É lamentável que em tão pouco tempo ele tenha permitido este estado do animal. Ela saiu daqui bem, com peso adequado e sendo bem tratada. É o mínimo que se espera de um novo dono", ressalta. Por enquanto, a égua permanecerá no canil, até que esteja bem recuperada. A proprietária de um sítio em Canoas já manifestou desejo de adotá-la, dando um novo lar ao animal que ainda carrega marcas das agressões do antigo dono.
Cris Weber