A técnica de enfermagem Roselaine Chaves Mota, 30 anos, trabalha há seis anos na Unidade Básica de Saúde do bairro Fátima. Acostumada a atender dezenas de pessoas por dia, esporadicamente ela substitui colegas nos guichês de atendimento, no primeiro contato com os pacientes que chegam à unidade. Já atendeu todas as situações, desde os cidadãos mais calmos até os mais nervosos. Mas garante: um sorriso no rosto faz toda a diferença. "Para trabalhar com pessoas é essencial ser gentil, seja qual for a situação. Peço calma e procuro orientá-la ao atendimento correto, o que estreita a minha relação com o usuário", ensina. Já Luis Felipe da Silva, 18, trabalha com saúde há apenas duas semanas. É atendente na própria secretaria, e tem gostado muito da experiência. "Acho gratificante trabalhar com isso. Me sinto bem atendendo as pessoas com cordialidade e sinto que encontros com os demais colegas motivam e nos trazem muitas lições".
Ambos estão participando, junto com outros 22 servidores do Seminário de Humanização voltado aos profissionais que trabalham nas UBS, proposto pela Secretaria de Saúde, através da Coordenadoria de Psicologia Organizacional. O evento aconteceu nesta sexta-feira, 18 e tem uma segunda rodada na segunda-feira, 21. Nesta primeira etapa, o palestrante Paulo Bolock propôs uma divertida atividade: em pares, funcionários e estagiários usaram uma venda para cobrir os olhos de um deles. Enquanto isso, o segundo conduzia o colega pela sala, não permitindo que as pessoas com os olhos vendados se chocassem contra as outras na mesma situação. A brincadeira foi proposta para que os participantes entendessem que o papel dos atendentes é o de conduzir o paciente, que muitas vezes se sente perdido quando chega ao local. "O intuito é mostrar que jamais pode ocorrer o abandono do paciente, que muitas vezes chega desnorteado, procurando auxílio de todas as formas".
A coordenadora do serviço na secretaria, Marley Zarpelon, conduziu a segunda etapa do encontro desta sexta, palestrando sobre postura no ambiente de trabalho. "Quando falamos sobre postura, abordamos questões que vão além de uma roupa adequada e a autoestima. A própria maneira como o atendente fala, pelo tom de voz, já significa uma postura digna". Marley procurou ainda passar a noção de que gostar de trabalhar com pessoas não é suficiente. "Tem é que gostar muito disso. É essencial sentir-se bem com o atendimento, para que o usuário também se sinta acolhido". No encontro de segunda-feira, os funcionários receberão orientações sobre comunicação e motivação. Ao final do evento, receberão um certificado de participação.
Cris Weber