Há oito meses, um cão vira-latas chamava a atenção das milhares de pessoas que passavam pelo Calçadão em Canoas. Adulto, doente e com lesões aparentes, foi recolhido ao canil municipal e desde então espera por um dono. Apelidado carinhosamente de "Véio", o animal é apenas um dos que já tiveram uma casa e companhia de alguém e que hoje convivem com o abandono. Apenas uma das diversas histórias que se repetem diariamente, principalmente em período de férias. E todos os dias, a cena é a mesma: ao chegarem no canil, os funcionários se deparam com caixas de filhotes ou com bichos amarrados no portão.
A ocorrência comum tem gerado um grande problema: a superlotação. Por isso, no próximo sábado, 16, o canil estará aberto para a população das 9h às 17h. Doze cães adultos e 18 filhotes estarão disponíveis para adoção, além de 11 gatinhos, entre machos e fêmeas. Todos os animais estão desverminados, castrados e vacinados. De acordo com o veterinário responsável pelo local, Dr. Jean Pierre Maillard, a adoção deve ser a de posse responsável, com o objetivo de cuidar dos animais sem tempo determinado. "É preciso ter a consciência de que há um elo afetivo entre dono e animal, por isso queremos conscientizar a população sobre cuidar destes bichinhos, mesmo depois de filhotes". Segundo ele, é na época de férias que os casos de abandono se intensificam. "As pessoas não sabem o que fazer com os mascotes e acabam os largando aqui, como se tivessem um prazo de validade".
Canoas é o município da região com o maior índice de casos de ataques por animais mordedores, por ser uma cidade plana com mais casas do que prédios, o que incentiva a criação. Somente em 2009, foram em média 1.600 casos de pessoas internadas no Hospital de Pronto Socorro após serem mordidas. Por isso, como os espaços no canil estão praticamente nulos, a prioridade de recolhimento ocorre nos casos de animais que estejam ameaçando a integridade física da população. Hoje, seis animais de índole violenta - como pitbulls e rottweilers - representam 30% da capacidade de instalação, comprometendo grande parte dos espaços. "São animais que não podem ser doados, pois não conseguem mais ser socializados com uma nova família", ressalta o veterinário.
Para adotar os animais à disposição, é necessário que o interessado tenha mais de 18 anos, apresente documento de identificação e um comprovante de residência. Mais informações pelo telefone 3472. 7309.
Cris Weber