Com o objetivo de conhecer o idoso do município e garantir seu direito constitucional a uma saúde de qualidade, servidores de 11 equipes da saúde da família de seis UBS da cidade receberam na manhã desta sexta-feira, 30, a primeira etapa de capacitação para a implantação da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, documento oficial do Ministério da Saúde. A caderneta conterá dados básicos do idoso com 60 anos ou mais, como: identificação pessoal, desde nome e apelido a hábitos de vida; identificação das condições de moradia; problemas atuais de saúde; número de internações e quedas no período; possíveis alergias; agenda de consultas e informações de controle de pressão arterial, peso e glicemia. Um projeto piloto de implantação já foi aplicado na UBS Mato Grande e agora será estendido ao restante do município.
A ministrante desta etapa da capacitação, que ocorreu no auditório da prefeitura e é proposta pelo departamento de Políticas de Atenção ao Idoso em parceria com a Ulbra, foi a enfermeira e professora do curso de enfermagem da universidade Mirna Pedroso. Na instituição, é ela a responsável pela disciplina de Saúde do Idoso. Ela explicou aos participantes do encontro que a caderneta deverá ser um documento sempre presente com o usuário, uma vez que será a sua segunda identificação pessoal. Assim, sempre que houver um incidente, haverá mais chances de se identificar o que levou a uma queda, por exemplo. "Através da caderneta poderemos ter uma ideia de motivos comuns, como labirintite ou outra doença e conseguir uma solução mais rápida para o caso", explica. O documento será entregue e preenchido pelos profissionais de saúde da família. Assim, conterá dados corretos do usuário, evitando erros e confusões.
Os profissionais desta estratégia familiar que atuam nas UBS José Veríssimo, Cerne, Santo Operário, Natal, União e Mato Grade receberão, junto com a caderneta, um manual de procedimentos e preenchimento, para incorporar o documento como uma rotina de trabalho. Uma atenção ainda maior será dada aos idosos que compreendem um critério de fragilidade, como os que têm 75 anos ou mais, moram sozinhos, consideram seu estado de saúde ruim, relatam cinco ou mais doenças, utilizam cinco ou mais medicamentos e foram internados ou sofreram uma ou mais quedas em menos de um ano. De acordo com Adriana Ramos, uma das responsáveis pela atenção ao idoso na cidade, a implantação segue gradativamente nas UBS. "Teremos assim como acompanhar esta população, promovendo mais ações que beneficiem esta população".
Em Canoas, há aproximadamente 35 mil idosos morando no município, com 60 anos ou mais. E o número deve mudar bastante nos próximos anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o intervalo de tempo entre 1975 e 2025 será a era do envelhecimento no Brasil, com esta população aumentado 16 vezes no país. O dado colocará o Brasil em 6° lugar na população de idosos mundial, com 32 milhões de habitantes nesta faixa etária.
Cris Weber