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Em meio à apresentação de muitas experiências, a Rede de Barrios, desenvolvida por localidades no entorno de Barcelona (Espanha), alcançou destaque nas discussões acerca de processos de governança e participação, tema da mesa 5 do segundo dia do FALP.
Baseada no envolvimento dos indivíduos com questões comuns aos bairros das grandes cidades, o projeto arrancou elogios do público presente. "Em nossa comunidade, vivem pessoas de 84 nacionalidades. Temos o objetivo de criar uma identidade cidadã", afirmou a vice-prefeita de San Feliú de Llobregat, Lidia Muñoz, uma das cidades que estruturou a rede.
Fazem parte do esforço tanto entidades como clubes e associações quanto indivíduos, que se organizam para ações como a constituição de grupos para avaliação de riscos e exclusão social, campanhas de civismo e convivência, eventos comemorativos, entre outros. Grupos de trabalho se reúnem semanalmente, e também acontecem plenários mensais. "Há uma dificuldade grande de romper a inércia e hábitos arraigados de dependência em relação à administração central", disse.
O ponto de encontro das opiniões dos participantes é o engajamento das pessoas nas ações políticas, para que essas se tornem parte de seu cotidiano comum.
Na defesa dessa ideia, uma voz teve maior destaque: a mandatária de Mississauga (Canadá), Hazel McCalion. Com 92 anos e muita energia - tem o apelido de Hurricane (furacão) -, a líder municipal é enfática: "É preciso envolver a pessoas, elas têm que participar". De acordo com ela, essa mobilização é fundamental para a implantação de soluções metropolitanas, em especial porque em seu país o poder federal não se relaciona com as cidades. Junto à falta de diálogo há uma escassez de recursos. "De cada dólar que é arrecadado, apenas oito centavos vai para o município. Deveria ser o contrário", aponta Hazel. "Nós somos as raízes do poder nacional".
José Gerardo González, representante da prefeitura de Barquisimento (Venezuela), apontou que, ao contrário do exemplo canadense, em seu país o envolvimento popular não é apenas um direito, mas também um dever. "A Venezuela é o maior laboratório sociológico do continente", comentou. "Temos uma democracia participativa e protagônica". De acordo com González, se não há participação, o Estado não libera verbas.
Outra perspectiva sobre a questão foi apresentada pela pesquisadora Inchiran Hababou, que realizou uma análise das novas formas de mobilização na Tunísia, que só foram possíveis a partir do uso das redes digitais. "A internet construiu a revolução tunisiana", declarou. Conforme ela, o movimento de deposição do regime ditatorial na nação do norte africana indica profundas modificações na estrutura política, tendo em vista que grande parte dos cargos eleitorais era antes ocupada por meio de indicação.
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