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"Os municípios representam pouco no investimento da segurança pública, porém o esforço despendido é o dobro do despendido pelos estados". A afirmação é do secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima durante sua explanação na abertura do Seminário "O papel dos Observatórios de Segurança Pública na construção de uma segurança Cidadã: Panorama e perspectivas" na manhã desta segunda-feira, 6 que debateu O papel dos municípios na segurança. O especialista refletiu sobre a importância do empoderamento dos municípios no tema, observando que os mesmos já estão ocupando uma brecha importante com a colaboração da nova forma de pensar segurança pública no país. Destacou o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), como uma das alternativas para as cidades receberem recursos para aplicação na prevenção a violência e de se envolverem no processo.
Enfatizou também o papel dos Gabinetes de Gestão Integrada para aumentar a eficiência do trabalho integrado, exemplificando o episódio do PCC em 2006 em que as corporações não trocavam informações e por isso não conseguiam avançar em soluções, para alertar sobre a eficiência do diálogo e do fortalecimento da gestão quando todos atuam juntos. Renato Sérgio de Lima criticou também o legislativo que se move pelo pânico e ofereceu como exemplo o episódio de pacificação no Rio de janeiro em que tudo se voltou para lá. E resto do país?? Indagou. Para o especialista o papel central dos observatórios é poder induzir ações integradas de planejamento e um subsídio de informações para as forças da segurança pública, mapeando as áreas, produzindo dados e os utilizando como uma ferramenta poderosa para os gestores avançarem no pensamento da segurança.
Também fez parte da mesa de debate o professor da UFRGS Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo. "Canoas é exemplo na experiência avançada no tema da segurança, as ações implantada aqui estimulam o trabalho desenvolvido na universidade" elogiou. Azevedo apresentou um cenário mais amplo das políticas públicas de segurança mostrando o atual cenário e chamando a atenção para os desafios.
Como proposta de modicação na gestão de segurança sugeriu: " A Universidade pode colaborar com ponto de vista técnico e a reflexão de cidadãos, enquanto livres pensadores, pode apresentar algo que talvez influencie e contribua e que não está vinculada a nenhum tipo de interesse eleitoral e da critica da opinião pública. O especialista acrescentou ainda que "o Modelo atual de segurança está falido, está esgotado e não tem como apresentar resultados" enfatizando que não há política criminal que oriente a atuação das policias, há deficiência na investigação, burocracias no âmbito da justiça criminal, condições carcerárias degradantes, sensação de insegurança e impunidade e taxas elevadas de criminalidade "É preciso então pensar, ter um consenso e diálogo para podermos avançar dentro do novo modelo de segurança e conduzir de forma plenas as questões" ponderou.
O secretário de Segurança Pública e Cidadania de Canoas Alberto Kopittke preferiu não apresentar o modelo de Canoas para falar sobre os desafios que serão enfrentados pela equipe de segurança, do próximo governo do estado, a qual fará parte a partir de 1º de Janeiro. Na integra o secretário falou: "Será uma responsabilidade com alto grau de expectativa da sociedade na aplicação do novo modelo de segurança" disse. "Precisaremos superar a partidarização, encontrar um nível de consenso para dar um salto na gestão. Isso será levado a sério para buscar resultados. Teremos que ter humildade para aprender com colegas de outras gestões, outras corporações. Vamos colocar todos os esforços para reestruturar a segurança pública do Rio Grande do Sul. Dedicar muita energia para as reformas estruturais mesmo que os resultados demorem um pouco a aparecer. Em Canoas ficamos um ano planejando, captando recursos. O desafio agora será muito maior e será preciso paciência para dar um salto qualitativo dentro do novo modelo da segurança pública. Por dentro deste sistema devemos avançar. É preciso cada vez mais aproveitar os quadros técnicos independentes da posição partidária."
Kopittke elencou quatro desafios que virão a partir da gestão do governadorTarso Genro: unir pensamentos e prática, engajamentos dos municípios, ampliar a concepção de segurança não limitando todos os problemas só as polícias e o salto qualitativo de todas as instituições policiais qualificando os agentes para se tornarem comunitários criando vínculos e rever as relações entre a tecnologias e as corporações, "as policias tem que assumir a vanguarda desse processo" disse e concluiu enfatizando "O velho modelo de segurança não aguenta o novo modelo".
Ainda final do evento nesta manhã ainda foi aberto espaço para perguntas e observações dos participantes. Pelo menos 150 pessoas estão participando do evento. Esta tarde será debatido às 14h o papel dos observatórios: Da produção de Dados à Gestão da Segurança Pública também será socializado, às 15h30min, as pesquisas realizadas pelo Observatório de Canoas e às 19h haverá a mesa Territorialidade, Violências e Segurança Cidadã: os desafios das políticas públicas de segurança no Brasil.
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