Mesmo não sendo novidade no meio médico, nos últimos dias, a proliferação de casos de pacientes infectados com a bactéria acinetobacter sp, principalmente em alguns hospitais da capital, vem despertando o interesse da população sobre o assunto. Após a identificação de cinco casos, em setembro do ano passado, o Hospital de Pronto Socorro de Canoas Deputado Nelson Marchezan (HPSC) tomou uma série de medidas extremas para controlar os germes. O case de sucesso da casa de saúde do município será apresentado neste sábado (05/04) durante o Congresso Mundial de Epidemiologia Hospitalar, em Orlando, nos Estados Unidos.
Estudos apontaram que a bactéria adquiriu, ao longo dos anos, multi-resistência a um grupo de antibióticos. Descobriu-se, também, que a acinetobacter sp possui uma característica peculiar: a aderência e sobrevivência em materiais não-orgânicos e sim por superfícies sólidas (por exemplo, macas). Através de orientações do serviço de controle de infecção hospitalar da casa, o titular da Secretaria Municipal de Gestão Hospitalar/HPSC, Sérgio Frederes, intensificou ações de controle da bactéria, junto aos colaboradores do hospital.
Medidas como higienização das mãos dos colaboradores, com água, sabão e álcool 70%, a cada procedimento e, também, dos visitantes; conscientização da equipe de colaboradores sobre a questão; cautela na aplicação de antibióticos; e limpeza constante da área física colaborou para o controle da bactéria. A instituição, também, realiza o monitoramento de pacientes que vêm de outros hospitais e passaram por procedimentos, ficando em observação em áreas isoladas por 72h. A presença do germe pode ser identificada por exames na pele e na mucosa.
"Quando identificamos os casos no ano passado soou o alarme para nós. Algumas normas de procedimento foram intensificadas para frear a proliferação da infecção e manter a excelência no serviço prestado pelo HPSC", destacou Frederes.
Como foi o processo de controle da bactéria no HPSC
Em setembro de 2007 foram identificados cinco casos de pacientes infectados com a acinetobacter sp, na UTI do hospital. Imediatamente, os doentes foram isolados e a unidade passou por processo de degermação, ficando inativa por 18h, para garantir o sucesso do procedimento. O serviço foi realocado em outra dependência da casa de saúde para atender aos demais pacientes, não sendo necessário a interrupção da atividade. Concomitantemente, foram intensificadas as medidas de controle da bactéria.