A literatura ganhou mais destaque na zona rural de Canoas. Os 105 hectares onde vivem os pequenos produtores, agricultores e pescadores da cidade receberam três arcas com livros variados nesta quarta-feira, 13. A iniciativa é do Ministério do Desenvolvimento Agrário e visa a incentivar à leitura entre famílias rurais, nas cidades brasileiras. O projeto, chamado Arca das Letras, foi apoiado pela Prefeitura de Canoas. Com essa ação, 150 famílias passam a ter à disposição um acervo de 200 títulos.
O lançamento oficial do projeto também contemplou a comunidade quilombola Chácara das Rosas. Na oportunidade, as comunidades ouviram as autoridades municipais e também a representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Tatiane Souza. O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, lembrou da política de descentralização da Biblioteca, que proporciona o acesso gratuito de livros à espaços públicos variados. "Levamos os livros para as praças e temos uma biblioteca no Parque Getúlio Vargas. Vamos agora implantar mais uma, no Parque Esportivo Eduardo Gomes", explicou.
A representante do governo federal solicitou apoio do município para a confecção das arcas. Os espaços de madeira que acolhem os livros, parecidos com armários, são fabricados com apoio do Minstério da Justiça, por meio das penitenciárias. "É um esforço coletivo. Os livros são doações de parceiros e também do Ministério da Educação. Seria bom se os municípios colaborassem com a fabricação das arcas", salientou. O secretário de cultura de Canoas, Jéferson Assumção, garantiu que irá estimular o interesse dos moradores para o bom uso da arca.
Desenvolvimento - O resgate da identidade rural das comunidades é fundamental para o diretor do Departamento de Economia Solidária, Pedro Giehl. Ele lembra que a metodologia de consulta aos livros contribui para a aproximação da comunidade. "É um incentivo de formação que estamos fazendo nas famílias canoenses e, assim, reforçamos a capacidade produtiva dos agricultores", disse.
Na casa de Dona Maria Elisa Nikele, onde aconteceu o lançamento do projeto, a arca ficará na cozinha. Ela comenta que a Arca das Letras será importante para a educação das crianças do bairro. "Vamos criar mecanismos lúdicos para utilizar a arca. É bom para a gurizada sair das ruas e se ocupar", comentou. Maria é uma das voluntárias que atuará como mediadora do projeto na comunidade. Ela e os demais moradores que receberam o projeto foram capacitados para desenvolverem as atividades da biblioteca rural.
O trabalho dos agentes de leitura é voluntário e consiste no atendimento de 150 famílias das comunidades de agricultura familiar, dos bairros Mato Grande, Estância Velha, da comunidade quilombola Chácara das Rosas e da comunidade de pescadores da Praia de Paquetá.
Rachel Duarte