O autor paranaense Miguel Sanches Neto foi um dos grandes destaques da 25º Feira do Livro de Canoas nesta terça-feira (23). A convite do Secretário de Cultura Jeferson Assumção, Sanches ministrou uma palestra sobre a obra "A primeira mulher". O livro narra a história de uma deputada candidata ao cargo de prefeita que reencontra um namorado da juventude, em uma trama que mistura os gêneros romance e policial. Para o autor, discutir a própria obra é uma maneira de crescer pessoalmente e profissionalmente. "Quando começamos a escrever, temos nossos ícones da literatura para admirar e seguir. Com o tempo, temos que cortar estes vínculos e seguir o próprio caminho, amadurecendo o próprio trabalho", revela. "Esta individualidade se reflete também nas obras de referência, já que hoje em dia cada escritor tem a sua própria biblioteca".
Sobre o passar das décadas, Sanches revela que em 70 anos, mesmo tempo de emancipação de Canoas, muita coisa mudou. "Nos anos 40, muitos autores paranaenses acreditavam estar defasados pelo menos 40 anos de sua época. Hoje esse tempo não existe mais, vivemos o contemporâneo, a evolução em tempo real", afirma.
O Secretário Jeferson fez questão de enaltecer o trabalho do escritor, de repercussão nacional e internacional. "Sanches é um crítico literário e é uma honra tê-lo aqui. Quando um autor como ele prestigia a nossa feira temos certeza que os cidadãos têm uma ótima oportunidade de se conectar com outras experiências literárias e enriquecer muito o conhecimento", ressalta. Assumção aproveitou para comentar que as 189 palestras programadas para esta 25° Edição da Feira têm reunido ótimo público. "Na palestra de domingo, com o autor João Alberto Noll, centenas de pessoas compareceram, entre eles muitos psicanalistas. Isso é muito positivo", acrescenta ele.
Ao tomar um café na Estação Cultura, local que recebe até o final da feira um Happy Hour diário a partir das 18h30min, Sanches encontrou-se com a renomada autora carioca Ana Cláudia Ramos, presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. Ambos elogiaram a feira, com a estrutura deste ano, dividida em duas partes. "Esta é a prova de que o livro pode unir tudo, até mesmo dois lados da cidade, em uma feira realizada na praça pública, ao alcance de todos. Este é o modelo gaúcho de feiras, o melhor que existe", elogiou o escritor. Já Ana ressaltou o quanto uma feira como essa auxilia no trabalho de difundir o hábito da leitura entre crianças e adolescentes. "Lutamos todos os dias para divulgar esta ideia nas escolas e eventos como estes só contribuem para este processo", frisou ela, que também palestrou no auditório Euclides da Cunha.
A feira segue até o dia 4 de julho, sempre das 09hs às 19hs30min.
Cris Weber