O barulho que ainda restava entre os estudantes no lotado ginásio do Colégio Luterano Concórdia, silenciou com as primeiras imagens, regadas pelo arranjo musical de Bebeto Alves, durante o espetáculo teatral de sombras Salamanca do Jarau, apresentado na noite desta sexta-feira, 20, em Canoas. "Nunca assisti teatro nenhuma vez; não sei como vai ser", declarava ao lado dos colegas o estudante Marcos Júnior, da E.M.E.F. João Paulo I, que seria, minutos depois, mais um integrante da vidrada platéia de quatro instituições, que reuniram cerca de 800 alunos do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Pro-Jovem.
Quando as luzes se apagam, a empolgação aumenta. A partir de então, a narração, fiel à obra de Simões Lopes Neto, foi o único elo uniforme da história, animada com recursos de cores, vento, sons, luzes, artesanato e até interação direta com o público, resultado das pesquisas e adaptações que a Cia Teatro Lumbra realiza com esse gênero teatral milenar. "É nossa proposta, em todos espetáculos; fazemos questão que o público entenda o processo de criação também durante o espetáculo", explica a assistente de pesquisa e de direção, Fabiana Bigarella. Na primeira fila, o titular da Secretaria Municipal de Cultura de Canoas (SMC), Jéferson Assumção, acompanhava atentamente os vinslumbrantes personagem que se moviam através de sombras.
Resultado de uma parceria entre o projeto Lâmpada Mágica e as secretarias municipais de Cultura e Educação de Canoas, o circuito percorreu três outras cidades, antes de ser encerrado aqui: Santa Cruz do Sul (17 de novembro), São Leopoldo (18 de novembro) e Sapiranga (19 de novembro). "Nossos alunos nunca tinham vindo ao teatro, se comportaram muito bem, será uma boa base didática para as aulas", avalia a professora e orientadora educacional Maurilia Bitencourt, Escola Municipal Paulo VI, que após a apresentação entregou uma doação de materiais didáticos para crianças carentes à gestora da Secretaria Municipal de Cultura, Neuza Gomes.
Considerada uma das mais belas lendas gaúchas, A salamanca do Jarau ganhou uma versão para o teatro de luzes e sombras inspirada no conto homônimo daquele célebre autor gaúcho. O diretor Alexandre Fávero foi o guia do personagem gaúcho Blau Nunes pelos mistérios da gruta encantada no Cerro do Jarau em nome do amor por uma princesa moura. Como em todas cidades por onde passa, logo após a apresentação, o diretor Alexandre Fávero e sua talentosa equipe foi cercada por estudantes, professores e gestores da SMC, que cumprimentaram os artistas e esclareceram dúvidas sobre o processo de criação no teatro de sombras.
A realização da iniciativa foi da Cida Planejamento Cultural com o patrocínio da AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia e financiamento da Lei Rouanet/MinC e da Lei de Incentivo à Cultura/RS.
Ronaldo M. Botelho