"O escritor tem que seduzir o leitor, ele joga a rede e, às vezes, pega algum peixe", declara o escritor Henrique Martins de Freitas, durante a palestra, que finalizou há pouco tempo no Encontro com o escritor, uma das atrações da 27.ª Feira do Livro de Canoas, no auditório Moacyr Scliar. Antes dele, foi também concorrida a palestra do escritor Luis Dill, realizada no mesmo local.
Participante pioneiro da feira em Canoas, na qual não perdeu uma edição, Freitas observou que a estrutura está cada vez melhor. "O evento contou com autores de outras partes do País e do mundo. Isso é importante, porque eles aprendem uns com os outros", considera.
Estudantes de cinco escolas municipais e duas estaduais lotaram o auditório e o espaço do Cine Literário, onde também ocorre, paralelamente a mostra de curtas gaúchos premiados.
Sob o olhar atento dos estudantes, ele falou sobre a sua trajetória literária, comentando aspectos de sua técnica literária. "É muito importante para nós receber professores e alunos, é um prestígio que autor recebe", avalia. Durante as intervenções, o escritor interagiu com a platéia, respondendo perguntas, brincando e provocando os participantes com questões.
Durante as atividades da feira desta manhã, apenas nesses espaços e nas estandes ao redor, circularam cerca de 500 estudantes. No outro lado, do trem, a feira prossegue também no calçadão com a maioria das bancas. A palestra foi encerrada com uma proposta de opção para a nova capa de seu último livro "A mão escarlate e outras histórias sobrenaturais". O autor apresentou aos estudantes duas opções para que os presentes possam participar da escolha.
Com 16 obras publicadas (10 são poemas) e 77 coletâneas, Henrique Martins de Freitas diz que escreve para todos os públicos. Atualmente, está dedicado ao público infanto-juvenil
Algumas idéias do autor:
O trabalho de escrever
Eu acredito em inspiração, em intuição e, sobretudo, na técnica. Com todo o investimento existente, fazer arte no Brasil, especialmente no começo, exige uma segunda profissão.
A Poesia
Poesia é sentimento, mas não só isso. É mais poesia e imagem do que sentimento.
Sobrenatural
Uma coisa que se trabalha muito desse tipo de literatura é a questão do duplo, da imagem, do espelho e o subliminar. São elementos utilizados como ferramentas pelo escritor para construir uma obra sobrenatural, entre outros.
Autores preferidos
Fiodór Dostoievsk, Leon Tolstoi, EdgarAllan Poe, Machado de Assis, Charles Kiefer e Sérgio Faraco. "Estou sempre voltando para aqueles que me ensinaram a escrever"
Sobre a linguagem popular
Sou popular, sem fazer concessões. Eu não posso escrever um livro de conto sem escrever nenhuma palavra nova. Daí, não ajudei o leitor. O dicionário é importante, mas na leitura se aprende muito.
A inspiração feminina
O jovem do sexo masculino, que tem o dom de escrever, vai fazer pelo menos um bilhetinho para uma menina; e eu fazia isso. Onde se põe uma rima nisso, já vira poema.
Arte
No geral, a arte não é concebida como deveria, e a literatura é uma arte.
Internet
Com o advento da internet está apenas fácil. Eu, particularmente, não consigo ficar só no blog. Um livro é mais afetivo e romântico. Temos que usar tudo que está ao nosso dispor.
Scliar
Eu agradeço muito a ele pelo realismo e a boa literatura que ele disponibilizou a todos.
O papel do escritor
É passar adiante o que ele produziu e a experiência que acumulou.
Próximas atividades: está começando agora no espaço Moacyr Scliar a palestra "Linguagem audiovisual: uma proposta para o ensino da literatura", com Wagner Kerller e Edne Buchhno (Ulbra / Cristo Redentor), atividade dirigida a professores. Às 14h, no mesmo local, se realiza o encontro com os escritores Carlos Urbim e o ilustrador Eduardo Vieira da Cunha.
Ronaldo M. Botelho
Colaborou: Luciane Amaral