Alunos de escolas municipais como David Canabarro e Arthur Pereira de Vargas, e de outras cidades, como do Instituto Estadual Marechal Rondon, de Butiá, compareceram e prestigiaram algumas das inúmeras atividades da 27ª Feira do Livro de Canoas nesta manhã. Às 9h, os estudantes que vieram do interior participaram da Usina de Quadrinhos, que teve palestra e oficina com Rogê Antônio. Natural de Ijuí, o desenhista passou algumas técnicas sobre a arte dos quadrinhos para duas turmas da 8ª série. Acompanhados pelas professoras de Arte da Rondon, Joseane Araújo e Gisleine Mello, os alunos puderam se aprofundar na técnica com os ensinamentos do especialista.
Também às 9h, a escritora Heloisa Prieto movimentou o Auditório Moacyr Scliar com as histórias que originaram seus livros. Com 54 obras publicadas e mais cinco por vir, conforme ela, a autora respondeu a perguntas dos pequenos leitores. Com o livro 1001 fantasmas, da Companhia das Letras, em mãos, os alunos questionaram Heloisa sobre o melhor livro já lido. Entre outros, a escritora ressaltou as histórias da Bíblia, as enciclopédias e algumas obras de Edgar Alan Poe. Leticia Lopes, do 5º ano da David Canabarro, aproveitou para marcar o livro com o autógrafo da autora, e não hesitou em perguntar a ela sobre o final da história.
Outro convidado que pode dialogar sobre seus livros com os jovens presentes na Feira foi o escritor indígena Daniel Munduruku. Com mediação da professora Iara Boni, da Ulbra, o encontro serviu para aproximar os alunos da realidade indígena. Nascido no povo indígena Munduruku, no Pará, o autor é formado em Filosofia e doutorando em Educação, pela USP. Com a sabedoria de vida de quem é filho da natureza e de quem tem mais de 40 livros publicados, ele prendeu a atenção dos estudantes já nas primeiras palavras. Com uma saudação na língua do seu povo, Munduruku falou das diferenças entre os povos das cidades e os povos indígenas e da satisfação de participar de "eventos de difusão da literatura".
Além das ilustres presenças, a 27ª Feira do Livro nesta manhã teve a contação de histórias com o boneco Bastião. Conhecido em Canoas por representar a cultura afro descendente, o personagem apresentou "A Galinha de Angola". Manipulado por Julio Cezar Santos, o Bastião resgata o passado do movimento negro para milhares de alunos desde o seu surgimento, no final de 2009. Para o pequeno Artur Santos, que assistiu atentamente as histórias do boneco, "é muito legal participar da Feira e conhecer algumas lendas da cultura negra".
Amanda Utzig Zulke