A Orquestra de Câmara de Canoas realiza nesta sexta-feira, 2, o seu terceiro concerto, na Capela do Unilassale. Na ocasião, serão execcutadas composições de nomes célebres da música clássica, como Heitor Villa Lobos (FOTO). O Concerto tem início às 19h, na Capela do Unilassale, no centro da cidade, e tem entrada gratuita.
Conforme o convênio firmado com a orquestra, serão realizados 12 concertos durante o ano - 6 da série oficial, na Capela do Unilassale; 3 de natureza didático-pedagógica, junto às escolas e 3 em eventos do calendário do município.
Concertos Oficiais 2011
02 de setembro, Sexta-feira, 19h
Local: Capela do UNILASALLE - Av. Victor Barreto, 2288 - Canoas/RS
Entrada franca
Programa
Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959)Bachianas Brasileiras nº 4 - I Prelúdio: Introdução
Alexandre Tansmann (1897 - 1986) - Variações sobre um tema de Frescobaldi
Alberto Nepomuceno (1864 - 1920) - Suíte Antiga: I Minueto, II Ária e III Rigaudon
Intervalo
Béla Bartók (1881 - 1945) - Romanian Folk Dances: I Stick Dance (Dança do Bastão); II Brâul (Dança do Cinto); III In one spot (Dança do Sapateado); IV Dance of Bachum (Dança da Trompa); V Romanian Polka (Polca Romena) e VI Fast Dance (Dança Rápida)
Peter Warlock (1894 - 1930) - Capriol Suite: I Basse-Danse; II Pavane; III Tordion; IV Bransles; V Pieds-en-l\'air e VI Mattachins;
HEITOR VILLA-LOBOS (1685 - 1750)
Filho de Noêmia Monteiro Villa-Lobos e Raul Villa-Lobos, foi desde cedo incentivado aos estudos, pois sua mãe queria vê-lo médico. No entanto, Raul Villa-Lobos, pai do compositor, funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, deu-lhe instrução musical e adaptou uma viola para que o pequeno Heitor iniciasse seus estudos de violoncelo. Aos 12 anos, órfão de pai, Villa-Lobos passou a tocar violoncelo em
teatros, cafés e bailes. Paralelamente, interessou-se pela intensa musicalidade dos
"chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro, e neste contexto,
desenvolveu-se também no violão. De temperamento inquieto, empreendeu desde
cedo escapadas pelo interior do Brasil, primeiras etapas de um processo de absorção de todo o universo musical brasileiro. Em 1913 Villa-Lobos casou-se com a pianista Lucília Guimarães. Em 1922 Villa-Lobos participa da Semana da Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo. No ano seguinte embarca para Europa, regressando ao Brasil em 1924. Viaja novamente para a Europa em 1927, financiado pelo milionário carioca Arnaldo Guinle. Desta segunda viagem retorna em 1930, quando realiza turnê por sessenta e seis cidades. Realiza também nesse ano a Cruzada do Canto Orfeônico no
Rio de Janeiro. Seu casamento com Lucília termina na década de 1930. Depois de operar-se de câncer em 1948, casa-se com Arminda Neves d\'Almeida, a Mindinha, uma ex-aluna, que depois de sua morte se encarrega da divulgação de uma obra monumental. O impacto internacional dessa obra fez-se sentir especialmente na França e EUA - o jornal The New York Times dedicou-lhe um editorial no dia seguinte a sua morte. Villa-Lobos nunca teve filhos. Em 1960, o governo do Brasil criou o Museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro.
Bachianas brasileiras nº 4 - Prelúdio; Introdução
Procurando influenciar a ampla envergadura da política social do "Estado Novo" de Vargas para inclusão do ensino da educação musical, Heitor Villa-Lobos começou dois grandes projetos: o Guia Prático, um currículo de música que utilizava temas populares harmonizados, e as nove Bachianas Brasileiras, dedicadas a demonstrar a ligação entre a música brasileira e os temas de Johann Sebastian Bach. Em 1930 ele produziu três peças para as Bachianas, incluindo o eventual quarto movimento desta Bachiana, para piano solo. Ao longo dos anos seguintes, ele adicionou três movimentos para fazer uma suíte em quatro movimentos. Em 1941, arranjou-a para uma orquestra sinfônica completa, com duas flautas mais Piccolo, dois oboés e corno inglês, dois clarinetes, dois fagotes, sete trompetes, três trombones, tuba, cordas, e uma seção de percussão com tímpanos, bumbo, tam-tam , xilofone e celesta. A versão para piano desta Bachiana estreou em novembro de 1939 com Vieira Brandão como solista. O próprio Villa-Lobos conduziu a estréia internacional da versão orquestral, em 1942. Como é o caso das Bachianas
Brasileiras, Villa-Lobos salientou a conjunção de Bach e do Brasil, dando títulos duplos a cada movimento, um refletindo uma forma de Bach, o outro o que sugere a natureza brasileira da música. A Orquestra da ULBRA apresenta esta noite o primeiro movimento, intitulado, de certa forma redundante, Prelúdio;Introdução.
ALEXANDRE TANSMANN (1897 - 1986)
Alexandre Tansman foi um prolífico compositor e virtuoso pianista, nascido em 12 de junho de 1897, em Lodz, na Polônia. Viveu os primeiros anos em sua terra natal, numa época em que a Polônia ainda não existia como um país independente, e sim como parte da Rússia Czarista. Mas foi na França que passou boa parte de sua vida. Embora tenha começado seus estudos musicais no Conservatório de Lodz, seu doutorado foi em Direito na Universidade de Varsóvia, na Polônia. Pouco depois de completar seus
estudos, Tansman mudou-se para Paris, onde suas idéias musicais foram aceitas e encorajadas pormestres como Igor Stravinsky e Maurice Ravel, em oposição ao clima mais conservador de sua nativa Polônia. Em Paris, associou-se a um grupo de músicos
estrangeiros conhecido como a École de Paris. Com um estilo considerado
neoclássico, bastante influenciado por suas heranças polonesas e judaicas - assim
como pela cultura francesa - adotou as harmonias estendidas de Ravel e mais tarde
foi comparado a Scriabin em relação à saída das tonalidades convencionais (a crítica
questionou seu cromatismo e escrita politonal). Ele talvez seja mais conhecido por
suas peças para violão, em sua maioria escritas para Andrés Segovia - em particular
a Suíte in modo polonico (1962), uma coleção de danças polonesas. Entre 1932 e
1933 apresentou-se ao piano para várias audiências ao redor do mundo, inclusive para o príncipe Hirohito, do Japão, e Mahatma Gandhi. Mais tarde, fez uma turnê de 5 concertos pelos Estados Unidos, incluindo uma performance como solista sob a regência de Serge Koussevitsky com a Orquestra Sinfônica de Boston. Tansman sempre fez referência a si mesmo como um compositor polonês, apesar de ter vivido muito tempo na França e ter se casado com uma pianista francesa, Colette Cras. Em
1941, com a ascensão de Hitler ao poder e o conseqüente perigo que isso representava para ele devido à sua ascendência judia, foge da Europa e muda-se para Los Angeles, graças à ajuda de seu amigo, o cineasta Charlie Chaplin. Lá, faz amizade com Arnold Schoenberg, e também assinou a trilha sonora de pelo menos 6 filmes em Hollywood. Foi indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora de Comédia ou Drama,
em 1946, por "Paris Subterrâneo". Apesar de ter retornado a Paris após a guerra, seu sumiço da cena musical européia acabou desacelerando sua carreira. Não mais em sintonia com as modas francesas, Tansman voltou-se às suas raízes musicais polonesas e judaicas para criar alguns dos seus maiores trabalhos. Com isso, começou a restabelecer contato com a Polônia, apesar de continuar com sua carreira e família na França, onde permaneceu até sua morte, em 1986.
Variações sobre um tema de Frescobaldi
Nessa peça o compositor usa os padrões trabalhados por Stravinky (a quem Tansman teve a oportunidade de conhecer alguns anos antes, nos Estados Unidos, e foi quem iniciou a tendência neoclássica na música), baseando-se na famosa melodia Aria detta la frescobalda (1636), de Girolamo Frescobaldi. Podemos ouvir claras referencias à música do período barroco Italiano nessa peça. O trabalho agregou sucesso tão logo foi lançado e imediatamente tornou-se parte do repertório de orquestras do mundo todo. Em 1943, outra versão deste trabalho, para orquestra de cordas, foi escrito, e é apresentado na noite de hoje.
ALBERTO NEPOMUCENO (1864 - 1920)
Compositor, organista, pianista e regente brasileiro nascido em Fortaleza, em 6 de julho de 1864, de características rítmicas essencialmente nacionalistas, considerado o pai da canção de câmara brasileira, tendo insistido na necessidade de utilização do idioma nacional na música de concerto como mais uma forma de nacionalizar a linguagem musical. Aprendeu música com o pai, o maestro Vítor Augusto Nepomuceno, em Recife, onde se tornou diretor musical do Clube Carlos Gomes no ano de 1882. Após a morte do pai, mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1888 foi completar seus estudos na
Europa, estudou na Academia de Santa Cecília, em Roma, onde teve aulas com Terziani. Depois, com bolsa de estudo do Governo Brasileiro, transferiu-se para
Berlim, onde estudou no Conservatório Stern. Também estudou órgão em Paris e voltando ao Brasil, iniciou suas atividades pedagógicas no Instituto Nacional de Música
do Rio de Janeiro. Foi convidado a dirigir a Sociedade de Concertos Populares em 1896. Regente da Sociedade de Concertos Populares, sua Série Brasileira (1888-1896)
estreou em 1897 marcando um momento importante do grande nacionalismo brasileiro, pela utilização de temas do populário nacional e pelo clima brasileiro obtido na
composição. Retornou à Europa no mesmo ano e, de volta ao Brasil, foi nomeado diretor do Instituto Nacional de Música (1902-1916). Faleceu no Rio de Janeiro, em
1920, e é o Patrono da Cadeira nº 30 da Academia Brasileira de Música. Na sua obra, destacaram-se as Valsas humorísticas para piano e orquestra (1897), o episódio lírico Ártemis sobre texto de Coelho Neto (1898), um Trio com piano em fá menor (1916), além de óperas e sinfonias.
A Suíte Antiga
Esta obra foi escrita como prova final do curso de composição no Conservatório Stern. Seu trabalho representou para nós o que foi Grieg, Pedrell, Smetana e Glinka para suas respectivas pátrias. As principais discussões estéticas da época opunham duas correntes de estilo. De um lado a corrente wagneriana, que dizia fazer "música do futuro" e, do outro, a corrente formalista - da qual Brahms era o principal expoente - que dizia fazer "música do passado", porque buscava nas formas clássicas e barrocas os modelos para a criação contemporânea. A Suíte Antiga de Nepomuceno, ao seguir o modelo da Suite
Holberg de Grieg, filia-se à escola formalista. Inclui uma ária e duas danças barrocas francesas - um minueto e um rigaudon - estilizados na linguagem romântica.
BÉLA BARTÓK (1881 - 1945)
Béla Bartók nasceu em 25 de março de 1881, na região da Transilvânia, quando esta era ainda parte da Hungria. Seu pai era diretor de uma escola de agricultura e inspirou no menino a paixão pela natureza e pela música. Aprendeu as primeiras noções de piano com sua mãe, a partir dos cinco anos. Com a morte do pai, em 1894, o pequeno Béla acompanhou sua mãe até a cidade de Pozsony, atual Batislava, onde estudou piano e composição com Ladislas Erkel. Pozsony era um centro cultural importante, onde ele fez estudos musicais regulares. Tornou-se amigo de Erno Dohnâyi, que o iniciou nos mestre alemães: Bach, Wagner e Brahms. Em 1898, entrou para a Academia Real de Música de Budapeste, na classe de piano de Thoman, aluno de Liszt. Em 1905 foi a Paris para o Concurso Internacional Rubisntein de Composição e Piano. Ali descobriu Debussy e sua escrita modal e, por isso, voltando à Hungria, compreendeu o interesse das canções populares. Dedicou-se, desde então, com a parceria do amigo, o compositor húngaro Zoltan Kodaly, estudos científicos sobre as canções folclóricas. Um ano depois
publicou com Kodaly uma primeira coletânea de cantos populares húngaros, num total de 20, por eles harmonizados. Foi nomeado professor de piano da Academia de Budapeste em 1907. Teve que esperar pelo fim da Primeira Guerra para começar a editar e executar sua música em terras estrangeiras. Autenticamente democrata e
horrorizado com o nazismo, recusa-se a permanecer em seu país quando o fascismo se instala no poder. Decide-se, em 1940, estabelecer-se nos Estados Unidos. Lá, o
reconhecimento do valor e do significado de sua obra não o alcançam sequer nos últimos momentos de sua vida, que, com a saúde debilitada e poucos bens materiais, continuou compondo até mesmo no período em que esteve hospitalizado. Bartók acabou falecendo em Nova York, em 26 de setembro de 1945.
Romanian Folk Dances (Danças Folcloricas Romenas)
As Danças Folclóricas Romenas foram compostas originalmente para piano em 1915, inspiradas em temas da música folclórica romena, trazidos por Bártok de suas viagens pela Transilvânia. Nelas, procurou não descaracterizar o rico material melódico contido nas primitivas canções, geradas com escalas e harmonias dos modos antigos. As danças, em variados andamentos, também se diferenciam quanto ao caráter, como no caso da enérgica Fast Dance, que encerra a série, da vivacidade da Polca Romanesca, da docilidade da dança da gaita de foles Dance of Bachum ou Buciumeana (a dança da trompa), e da tranquilidade da dança cigana sapateada In one spot. Fazem parte também do grupo de seis andamentos Brâul (dança do xale) e Stick Dance (a dança do bastão). A orquestração do compositor, feita em 1917, popularizou-se e recebeu inúmeras versões.
PETER WARLOCK (1894 - 1930)
Peter Warlock nasceu Philip Heseltine, único filho de um advogado em Londres. Seu pai morreu quando ele tinha dois anos, e ele então foi criado por sua mãe. Foi educado em escolas públicas inglesas, e teve encorajada a sua paixão pela música por um professor, chamado Colin Taylor. Fora isso, ele teve pouca ou nenhuma formação musical significativa. Em 1908, descobriu a música de Frederick Delius e foi arrebatado pelo seu trabalho. Após conhecer Delius em 1911, seguiu-se uma longa amizade. Heseltine entrou em Oxford em 1913, mas logo desistiu, ao mudar-se para Londres, para trabalhar como crítico de música do jornal Daily Mail. Com a eclosão da 1ª Guerra, Heseltine foi considerado inapto para o serviço militar. Quando começou a compor seriamente, por volta de 1918, adotou o pseudônimo "Peter Warlock", um entre tantos outros que utilizava para assinar suas críticas. Também em 1918, Warlock e o compositor Cecil Gray realizaram a publicação do A Cítara, um periódico dedicado à discussão informada e animada do mundo da música contemporânea. Warlock deteve o cargo na revista até que esta fora comprada pelo editor J.C. Curwen, em 1921. Warlock também voltou sua atenção à música inglesa de épocas anteriores, em especial o da era elisabetana. Ele editaria uma grande quantidade dessa música "antiga" para as publicações modernas, e as edições de Warlock são de um padrão tão elevado que as pesquisas de gerações subseqüentes não conseguiram superar muitas delas. Em 1923 compôs o seu ciclo de canções com poemas de Yeats, que representou a Grã-Bretanha em 1924, no Festival ISCM de Salzburgo. Naquele mesmo ano, ele transcreveu três músicas natalinas para o Coro Bach. Este conjunto continha o etéreo e místico Balulalow. Capriol Suite, sua melhor obra orquestral conhecida, foi concluída em 1926. No começo de 1929, Thomas Beecham nomeou Warlock editor do MILO (Revista da Sociedade Imperial de Ópera), mas esta durou apenas três edições. Warlock caiu em uma depressão profunda, bebendo bastante, e incapaz de encontrar trabalho. Em 17 de dezembro de 1930, a senhoria de Warlock telefonou para a empresa de serviços públicos reclamando de um forte cheiro de gás vindo do apartamento de Warlock. Uma vez dentro, os policiais encontraram-no morto por asfixia, aos 36 anos de idade. Há uma placa em sua memória no local, no número 30 da Tite Street, em Londres.
Capriol Suíte
A Capriol Suíte é a quintessência de Peter Warlock. Composta para orquestra de cordas em 1926, cinco dos seus seis movimentos são baseados em músicas antigas tiradas do Orchésographie, um tratado sobre dança publicado em 1589 e atribuído a Thoinot Arbeau, pseudónimo de um anagrama do padre e cientista francês Jehan Tabourot (1519-1595). Arbeau está empenhado no diálogo com Capriol, um advogado que deseja aprender a dançar, daí o título. O charme da Capriol Suite é a sua maneira de evocar
uma inefável aura do arcaico dentro de uma moldura fonética moderna, isto é, com o ritmo acelerado da vida urbana contemporânea. Em 1928, o compositor re-escreveu a Capriol Suite para orquestra completa, embora seja a versão original, habilmente forjada para cordas, a mais frequentemente ouvida. Arranjos posteriores, feitos para quarteto de violões, sopros e até mesmo para um duo de flautas, são uma homenagem aos encantos indeléveis desta obra.
1os Violinos - Emerson Kretschmer - Spalla, Sandro Wasem, Elsdor Ricardo Lenhardt e Silvane Guerra
Violas - Vladimir Romanov, Álvaro Aguirre
Violoncelos - Alexandre Diel eCarla Bohrz Pacheco
Contrabaixo - Walter Schinke
Secom / PMC
Ronaldo M. Botelho