O grande dia de um projeto da Secretaria de Desenvolvimento Social, que vem sendo construído desde fevereiro em Canoas, ocorreu na tarde deste sábado, 7. Uma festa com muitos doces e brincadeiras foi montada para que padrinhos e afilhados do programa Apadrinhamento Afetivo se conheçam e possam iniciar uma relação de carinho e proteção. De 34 casais e pessoas sozinhas que se candidataram no início do processo de seleção e oficinas, 16 permaneceram e foram até a última etapa para serem escolhidas pelas 16 crianças de 8 a 15 anos, que integrarão essa primeira edição do projeto na cidade.
De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social, Márcia Falcão, a iniciativa tem o primordial objetivo de oferecer o direito ao afeto a essas crianças. "O cuidados e as necessidades básicas eles recebem nos abrigos, mas uma referência afetiva individual que os acompanhe na vida eles não possuem", relatou. Os apadrinhados residem nos abrigos do município e possuem remota ou inexistente possibilidade de adoção.
Conter a emoção foi difícil para quem estava no Salão de Festas do Sindicato dos Metalúrgicos, a alegria dos meninos e meninas refletia nos olhos a cada atividade proposta pela turma de recreação e a ansiedade para escolher seus dindos era o sentimento mais presente em todos eles. Biana e Suelen, de 10 e 8 anos são muito amigas e moram no Abrigo Raio de Sol. "Estamos loucas para que chegue a hora da escolha. O mais legal de tudo vai ser poder receber carinho, mas também queremos poder começar a fazer coisas e passer com eles", comentaram.
O comerciário Antônio Zotti, de 49 anos, estava no encontro sem a esposa que estava trabalhando, mas contou que, mesmo tendo dois filhos, um de 16 e uma de 6 anos teve o interesse de participar pela vontade de ajudar uma pessoa que ainda tem uma vida pela frente e possui tão poucas chances e oportunidades. "Minha filha menor ta adorando a idéia, ele torce que seja uma menina para brincarem juntas. Pretendo buscar o meu ou a minha afilhada todos os finais de semana e também levar para as férias", afirmou.
Alice Bittencourt, que é voluntária do programa e também foi da comissão organizadora do Apadrinhamento Afetivo em Porto Alegre, destaca que a grande diferença de Canoas para a capital é o engajamento do poder público na causa. "O compromisso que a Prefeitura de Canoas teve com esse projeto vai permitir que ele se transforme em uma política pública e que essa seja uma ação com continuidade na cidade. Esse ano é só o primeiro. No ano que vem os padrinhos dessa edição serão voluntários e multiplicadores", ressaltou.
O Apadrinhamento Afetivo visa dar acolhimento e prestar assistência moral, afetiva e física a crianças e adolescentes com remota possibilidade de adoção, mas não se trata de adoção e sim de um vínculo afetivo.
Mariela Carneiro