Há 27 anos atrás, Maria da Penha Maia Fernandes sobrevivia à inúmeras agressões e crueldades do então marido. Após duas tentativas de assassinato, Maria ficou paraplégica, mas sobreviveu. Os sucessivos ataques marcaram a vida de uma das milhares de mulheres que enfrentam diariamente os abusos dentro das próprias casas, mas eternizaram o seu nome e mais, deram vida a Lei que hoje protege tantas outras Marias do Brasil.
Para discutir a problemática da violência contra as mulheres, a equipe do CRAS Harmonia realizou uma atividade com os participantes do programa ProJovem Adolescente. Além da exibição de um documentário destacando a importância da Lei Maria da Penha, os adolescentes reuniram-se em grupos para ler reportagens publicadas no jornal Diário de Canoas sobre o caso de violência que culminou na morte de uma mãe e um filho no último final de semana, no bairro Mato Grande. De acordo com a equipe de psicólogos e assistentes sociais, a atividade busca promover a reflexão e o debate sobre o tema, recorrente em muitas famílias.
Para Alessandra de Oliveira, 14 anos, integrante do ProJovem e aluna da escola municipal Max Oderich, a tarde foi proveitosa. "Não costumo conversar com a família sobre violência contra as mulheres, mas sei de casos que acontecem no bairro. Por mim teria mais diálogo em casa", declarou a menina.
Como em todos os encontros do programa, a turma reservou a segunda parte para atividades lúdicas. Por três vezes na semana, os jovens encontram-se para dialogar e aprender sobre cidadania, nas mais variadas vertentes, e para aulas de informática, dança e esporte. Além de ocupar o tempo com programações e oficinas, estes adolescentes, muitos acostumados a conviver com situações adversas, têm em mãos a chance de se preparar para um futuro melhor.
Amanda Utzig Zulke