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A capacitação “Gênero e Saúde Mental”, a segunda promovida pela ONG Coletivo Feminino Plural em Canoas, teve aula inaugural nesta terça-feira (26), no Unilasalle, com participação de servidores da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Coordenadoria de Políticas para a Mulher.
O curso estende-se até a próxima sexta-feira (29) e integra o projeto Girassóis, que no município é executado pelo Centro de Referência da Mulher Patrícia Esber, projeto que conta com recursos da Secretaria de Políticas para as Mulheres e tem parceria da prefeitura de Canoas.
Cuidado
O curso propõe desenhar uma linha de cuidado que reconheça e considere as questões de gênero como determinantes do sofrimento psíquico das mulheres. A representante da Área de Saúde Mental da Secretaria Estadual da Saúde, Simone Alves Almeida, e a médica e consultora do projeto, Maria José Araújo, abriram o encontro.
Simone comentou que as relações de gênero e saúde mental são temas que sempre estiveram interligados. Ela contou que a partir da sua experiência clínica concluiu que “o machismo é um dos maiores produtores de doença mental”.
Ela relatou que quando as mulheres chegam para atendimento falando de depressão e ansiedade, ou apresentando sintomas, com frequência o quadro está relacionado com as relações de poder que elas vivenciam com seus parceiros ou no trabalho.
Diferenças
Segundo a médica e consultora do projeto, Maria José de Oliveira Araújo, com formação em Saúde da Mulher na Universidade de Sorbonne de Paris (França), vários estudos realizados no Brasil concluem que os problemas de saúde que afetam a homens e mulheres são diferentes e, por isso, os serviços deveriam dar respostas adaptadas especificamente às necessidades e demandas de cada gênero.
No entanto, muitas destas necessidades específicas ainda são invisíveis para os profissionais de saúde. De acordo com ela, ainda existe tratamento indiscriminado para homens e mulheres quando o assunto é saúde mental. Ou seja, não se consideram as particularidades das mulheres tampouco se tem consciência que os adoecimentos são diferentes para ambos os gêneros.
Prevalência
"As mulheres apresentam maior prevalência de sintomas psicológicos do que os homens e essa é uma importante razão para a maior procura pelos serviços de saúde e maior medicalização e abuso de medicamentos", sinaliza a médica Maria José.
Para a profissional, existe uma estreita relação de depressão com situações de vida que são próprias das mulheres como: violência doméstica, dupla e tripla jornada de trabalho, subordinação, discriminação, entre outros fatores. Considerar a questão de gênero implica perceber as questões sociais, históricas e culturais quando uma mulher busca cuidados nos serviços de saúde.
Proposta
A proposta do curso é preparar profissionais para que possam questionar e superar visões e práticas marcadas por discriminações, estereótipos, fragmentação, medicalização excessiva e invisibilidade das interseções que determinam maior vulnerabilidade das mulheres ao adoecimento psíquico. O objetivo é ampliar a perspectiva da integralidade na atenção à saúde das mulheres do município, em especial daquelas em situação de violência.
Durante o curso serão discutidos os procedimentos, os manejos, as metodologias de atendimento e assim promover a reflexão sobre práticas em vários sentidos.
Participações
Os encontros acontecem pela manhã e tarde, sempre no Unilasalle, com participações da coordenadora da Coletivo Plural, Regina Beatriz Vargas e das representantes do Conselho Estadual de Saúde e Fórum Gaúcho de Saúde Mental, Ivarlete França; do Núcleo de Estudos sobre Violência e Gênero da PUC/RS, Marlene Neves Strey, da Coordenadoria Municipal de Políticas para a Mulher, Márcia Falcão; do Centro de Referência da Mulher Patrícia Esber, Renata Jardim, do Centro de Referência Vânia Araújo e Secretaria de Políticas para a Mulher do RS, Maria do Carmo Biitencourt, e da Secretaria Municipal da Saúde, Sara Cougo.
Coletivo Plural
A Coletivo Feminino Plural é uma entidade que atua desde 1996 no Rio Grande do Sul voltada para a defesa dos direitos humanos e da cidadania das mulheres. Suas áreas de trabalho incluem saúde, violência de gênero contra mulheres e meninas, a formação de lideranças para atuação na sociedade, fortalecimento de políticas públicas e de serviços de atenção a mulheres. Integra o Conselho Diretor da Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e a Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe. Elabora relatórios às Nações Unidas sobre os temas de saúde e violência de gênero.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234