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A pessoa idosa deveria ter afeto, apoio e cuidados dos familiares. A terceira idade era para ser uma época de tranquilidade. Entretanto, nem sempre é assim. O abandono por todos ou por parte da família atinge 51% dos casos atendidos na Coordenadoria do Idoso de Canoas em 2014. Essa realidade levou à reflexão e debate nesta quinta-feira (23) no 2º Fórum Metropolitano de Prevenção à Violência Contra o Idoso. O encontro ocorreu no Auditório do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Rua Inconfidência, 778, Canoas, e teve início às 9 horas.
O contexto familiar e a violação dos direitos da pessoa idosa foi o tema que envolveu os debatedores no evento na parte da manhã. Violência domiciliar, desentendimentos familiares e abuso financeiro são colocados como os casos que mais aparecem na rede de atendimento ao idoso.
Trabalho
Conforme a diretora da Coordenadoria do Idoso de Canoas, Márcia Krieger, o Fórum é um momento de reflexão e também de tomada de novas decisões. "É preciso rever preconceitos e estratégias no trabalho diário de enfrentamento à violência contra o idoso", argumentou.
Segundo Márcia, geralmente a pessoa idosa fica aos cuidados de um dos filhos e os demais nem sequer fazem visitas, o que caracteriza abandono por parte da família. Dos demais atendimentos, violência patrimonial atinge 15,9%, agressão verbal 12%, agressão física 10,9%, e maus-tratos 10,2%.
Núcleos de Justiça
Para a defensora pública Camila Safe Maier Hage, que atua nos Núcleos de Justiça Comunitária de Canoas, nos Bairros Guajuviras e Mathias Velho, é muito importante a articulação em rede de várias instituições debatendo em um fórum. "Os agentes comunitários, que têm influência nas comunidades, são orientados e multiplicam conhecimentos", garantiu.
Segundo ela, a prioridade é a mediação dos conflitos para não judicializar os problemas, buscando entendimento entre as partes. A defensora pública acrescenta que os idosos são vítimas de violência financeira, moral, fisíca e psicológica. "Há o abandono familiar, em muitos casos, mesmo estando o idoso morando com a família", explica.
Proteção
Conforme Ruth Amorim, que é referência do idoso na Proteção Social Especial de Alta Complexidade na Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) de Porto Alegre, a violência contra o idoso não escolhe classe social. "Há muitos casos de abandono, problemas de violência doméstica, agressão dentro da família e violência financeira. Filhos pegam a senha e o cartão do banco do idoso", exemplifica. "Muitos idosos conseguem estabelecer a família e depois se tornam reféns dos familiares."
O delegado Paulo Machado, titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de Porto Alegre, destacou a necessidade de conhecer as leis e o Estatuto do Idoso. "Sou idoso com muito orgulho. Faço valer nossos direitos." A DP da Capital atende, em média, 40 casos por dia. As mediadoras dos debates foram Rejane Silveira e Flora Luciana de Oliveira.
Presenças - Secretária geral adjunta do Instituto Brasileiro dos Direitos da Família do RS, Denise Franke; presidente da Comissão Especial do Idoso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cristiano Martins.
O Fórum tem prosseguimento durante a tarde.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234