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Com uma plateia miscigenada, ocorreu na tarde desta terça-feira (21), no auditório Sady Schiwitz, na sede da Prefeitura, o 1º Fórum Municipal de Igualdade Racial, promovido pela diretoria de Igualdade Racial de Canoas. De acordo com a diretora de Igualdade Racial, Joana Maria Tavares, o evento teve o objetivo de quebrar alguns paradigmas quanto ao conceito de igualdade racial no município. "Queremos promover políticas públicas em parceria com todos os quadrantes da cidade e de acordo com a necessidade de cada região", disse.
Na primeira parte de exposições, o público ouviu o relato da professora de português Maristela Faria, que ensina a língua a um grupo de haitianos há cerca de um ano dentro da sala da própria casa. Ao lado de uma das alunas, Maristela contou a forma como conheceu o grupo de estrangeiros e a maneira que encontrou para acolhê-los. "Eu tinha a ferramenta do conhecimento da língua portuguesa para transmitir a eles. Mas eu peço que todos tenham um olhar especial para essas pessoas. Eles passam muita dificuldade para se estabelecer aqui no Brasil", afirmou a professora.
As aulas ocorrem todos os sábados à tarde. Grande parte dos haitianos para quem Maristela dá aula ainda não encontrou emprego e tem dificuldades de se comunicar no idioma brasileiro. Ao final, a professora pediu que a Prefeitura cedesse um espaço em alguma escola pública para que as aulas pudessem ser continuadas e ampliadas a um número maior de haitianos.
Representantes do povo cigano, iraniano e quilombola também palestraram
Representando o povo cigano, Rosecler Faria palestrou sobre as dificuldades e os frequentes tipos de preconceito que a sua etnia recebe no Brasil. Oriunda de uma família cigana da Alemanha, ela contou que a seus familiares foram expulsos da Europa e colocados em uma embarcação sem nenhuma condição salubre. Seus antecedentes foram levados para São Leopoldo, na Região Metropolitana, onde tiveram que começar uma nova vida do zero, longe de todo o respaldo cultural que tinham no seu país de origem.
Na sua fala, Rosecler revelou que, ainda hoje, sofre preconceito em alguns locais. "É uma pena eu ter de dizer isso, mas há momentos que tenho de esconder minha origem, minha etnia, para não sofrer discriminação". Ela lamenta, porém, a falta de união dos seus pares. "Eu gostaria que os ciganos tivessem a mesma união e poder de mobilização dos índios e dos negros, por exemplo", disse.
Na sequência, Dorothy Yazdori, descendente de iranianos, falou sobre a história da sua família, que emigrou do país do Oriente Médio após a Revolução Islâmica, no final na década de 1970. Segundo seu relato, o início da incursão foi marcado por muitas dificuldades de adaptação. Aos poucos, porém, seus pais foram sendo acolhidos pelos brasileiros e tiveram a oportunidade de se inserir na cultura local e crescer profissionalmente.
Ainda falou ao público a representante dos negros, Iverá Regina da Silva, que abordou o tema das políticas públicas de saúde para a etnia e a importância de trabalhar em prol de um mesmo objetivo, sem vaidades, em razão de a nova diretoria ter assumido sem nenhum histórico de atividades realizadas. Depois, foi a vez do representante árabe palestino, Saleh Ahmad Muhammad Bujaa, que explanou sobre as dificuldades de sua imigração para o Brasil e de como as superou. Na sequência, foi a vez representante quilombola Isabel Cristina Genelício. O evento foi finalizado pela mestre Cristiane Bastos, com apresentação teatral do seu grupo de capoeira.
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